Judiciário

Presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo FC É Alvo de Inquérito por Falsidade Ideológica

A Polícia Civil de São Paulo abriu inquérito contra Olten Ayres, presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo FC, por suposta falsidade ideológica. A investigação, que teve origem em denúncia da Comissão de Ética do clube, foca em um parecer de 2025, crucial para a reforma estatutária e criação de uma SAF, que teria sido manipulado. Ayres enfrenta votação para seu afastamento preventivo nesta terça-feira, 12 de maio de 2026.

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Presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo FC É Alvo de Inquérito por Falsidade Ideológica
Foto: Reprodução / Leia Política
SÃO PAULO, SP -

A Polícia Civil de São Paulo instaurou na 6ª feira (8.mai.2026) um inquérito para apurar a suposta prática de falsidade ideológica por parte de Olten Ayres, presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo Futebol Clube. A investigação, conduzida pelo delegado Tiago Fernando Correia do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), busca esclarecer se documentos institucionais foram manipulados para acelerar processos políticos internos do clube.

O procedimento policial teve origem em uma representação da própria Comissão de Ética do São Paulo. Em relatório concluído em 29 de abril, o colegiado apontou indícios de irregularidades criminais e determinou o envio do material às autoridades.

Documento Chave Sob Suspeita

O foco central do inquérito é um parecer datado de 17 de dezembro de 2025, assinado por José Eduardo Mesquita Pimenta e Ives Gandra Martins, então presidente e secretário do Conselho Consultivo. A suspeita é que o texto tenha sido entregue já redigido por Olten Ayres aos signatários apenas para coleta de assinaturas, sem que houvesse qualquer deliberação real do órgão.

Naquela data, o presidente da diretoria executiva, Julio Casares, havia iniciado um processo de reforma estatutária que previa mudanças estruturais no clube, como a flexibilização do quórum necessário para a criação de uma SAF e a separação administrativa entre o futebol e o clube social. Para que a reforma avançasse ao Conselho Deliberativo, era obrigatório o rito de consulta ao Conselho Consultivo. A investigação disse que Olten Ayres teria viabilizado o andamento da proposta ao apresentar um documento de “irrestrito endosso” que, segundo depoimentos posteriores, não refletia a vontade coletiva do colegiado, uma vez que não houve reunião formal para o debate.

A fundamentação da Comissão de Ética para a denúncia inclui um e-mail do jurista Ives Gandra Martins, no qual ele admite que o relatório favorável à reforma baseou-se em conversas isoladas e que a redação final teria sido elaborada por um advogado do clube, e não pelos membros do conselho.

O conflito político escalou em abril, quando Olten invalidou um parecer contrário à reforma emitido pela Comissão Legislativa, sob a justificativa de que o órgão havia extrapolado o prazo de 30 dias para manifestação.

Votação de Afastamento e Defesa do Presidente

A situação de Olten Ayres deve ser submetida ao plenário do Conselho Deliberativo na próxima terça-feira, 12 de maio de 2026, quando os conselheiros votarão seu afastamento preventivo do cargo.

O inquérito não possui relação direta com a força-tarefa do Ministério Público e da Polícia Civil que investiga outros três casos na gestão de Julio Casares, envolvendo suspeitas de lavagem de capitais, exploração irregular de camarotes e corrupção no departamento social.

De acordo com a reportagem do GE, a defesa de Olten Ayres afirmou estar à disposição para esclarecimentos aos órgãos competentes. Em nota, o Presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo Futebol Clube, Olten Ayres de Abreu Júnior, esclarece que, até o presente momento, não recebeu qualquer notificação formal acerca da abertura de procedimento ou apuração relacionada à sua gestão à frente do órgão.

Ainda assim, diante das informações veiculadas pela imprensa, recebe o tema com serenidade e reafirma que todos os seus atos sempre foram pautados pela legalidade, pela transparência, pela ética e pelo absoluto compromisso com o interesse institucional do São Paulo Futebol Clube. Não houve prática irregular, ocultação de informações, desvio de finalidade ou obtenção de qualquer benefício pessoal. As medidas adotadas pela Presidência do Conselho sempre tiveram caráter público, administrativo e institucional, voltadas exclusivamente à organização dos trabalhos e ao funcionamento regular do órgão.

A Presidência permanece, como sempre esteve, à disposição das instâncias competentes para prestar os esclarecimentos necessários, tão logo seja formalmente comunicada, reiterando seu compromisso com a governança, a transparência e a independência do Conselho Deliberativo.

Escrito por Redação Leia Política