PT encerra Congresso com manifesto para reeleger Lula e condena política externa de Trump
O Partido dos Trabalhadores (PT) encerrou seu 8º Congresso Nacional em Brasília, aprovando um manifesto que busca conciliar a identidade histórica da sigla com a ampliação da base para reeleger o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2026. O documento, elaborado pela tendência majoritária Construindo um Novo Brasil (CNB), acena ao centro político, propõe reformas e critica a política externa do Presidente Donald Trump, defendendo um Brasil protagonista em uma nova ordem global.

BRASÍLIA, DF - O Partido dos Trabalhadores (PT) encerrou neste domingo (26.abr.2026) seu 8º Congresso Nacional, em Brasília, com a aprovação de um manifesto que visa equilibrar dois objetivos desafiadores: manter a identidade histórica da sigla e ampliar a base para reeleger o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2026.
Aliança com o Centro e o Empresariado
O texto foi elaborado pela tendência majoritária Construindo um Novo Brasil (CNB) e apresenta acenos ao centro político, uma agenda de confronto com o Presidente Republicano Donald Trump e propostas de reformas que abrangem desde o Judiciário até o fim da jornada de trabalho 6x1. O documento propõe um “amplo processo de concertação social”, buscando reunir o setor produtivo e o empresariado comprometidos com a nação, ao lado da classe trabalhadora e dos movimentos populares. A ideia é formar uma coalizão que transcenda a mera defesa institucional da democracia, evitando a linguagem de ruptura.
Reformas Estruturais e o Socialismo Democrático
A versão preliminar do manifesto listava cinco reformas estruturais (política, tributária, tecnológica, do Judiciário e administrativa). O texto aprovado acrescentou outras duas: a reforma agrária, com foco na soberania alimentar, e a reforma da comunicação, para assegurar o cumprimento da proibição constitucional de monopólios no setor. Nenhuma das sete reformas é diretamente vinculada a um projeto socialista explícito. Contudo, a palavra “socialismo” ganhou mais peso na versão final, sendo inserida na apresentação das reformas estruturais para defini-las como orientadas por “objetivos estratégicos claros — tendo como horizonte programático o socialismo democrático“. Essa mudança aproxima o termo das propostas concretas, embora o tom geral do manifesto permaneça conciliatório.
Destaque para a Economia e Visão de Guimarães
O documento também enfatiza os resultados econômicos do governo, citando a inflação dentro da meta, o desemprego na mínima histórica e um crescimento de 2,8% ao ano como evidências de que responsabilidade fiscal e distribuição de renda não são objetivos contraditórios. O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães (PT), declarou a jornalistas, no encerramento do congresso, que o manifesto deve focar no centro político. “O manifesto, na minha opinião, tem que ter a centralidade de falar pro país e chamar o centro pra compor com o Lula. Isso é que é fundamental”, afirmou. É importante ressaltar que o manifesto aprovado não se confunde com o programa oficial do partido nem com o futuro plano de governo. Ele orienta a estratégia do PT para os anos de 2026-2027 em uma linguagem ampla, sem detalhar metas ou orçamentos, que serão elaborados durante a campanha eleitoral.
Crítica à Política Externa de Trump e Protagonismo Brasileiro
Na esfera da política externa, o manifesto descreve o tarifaço do Presidente Trump como um instrumento de “repressão econômica” e qualifica a postura norte-americana como uma “guerra comercial sem precedentes”. O documento ainda cita a aliança dos Estados Unidos com Israel nos conflitos em Gaza e no Oriente Médio como um exemplo de uma ordem internacional em colapso. Em contrapartida, posiciona o Brasil e o Presidente Lula como uma alternativa, destacando a liderança do governo na maior operação de repatriação de brasileiros em zonas de conflito, a defesa de cessar-fogo em fóruns globais e a apresentação do país como um mediador necessário em um mundo em crise. Essa narrativa serve a dois propósitos: distinguir o PT da direita internacional e reforçar a imagem de Lula como estadista em ano eleitoral. O documento defende, ademais, que o Brasil assuma protagonismo na construção de uma ordem mais equilibrada e controle o processamento das reservas de terras-raras em seu próprio território.