PT tenta realinhar forças em Minas com Kalil e Pacheco; senador decide partido
O Partido dos Trabalhadores (PT) intensifica suas articulações para as eleições de 2026 em Minas Gerais, buscando convencer Alexandre Kalil (PDT) a disputar o Senado e atrair Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para a disputa pelo governo estadual. Kalil, irritado com a pressão e o "abandono" de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após 2022, tende à neutralidade. Enquanto isso, Pacheco negocia sua filiação a um novo partido antes do prazo final de 3 de abril, com o PSB como opção. A "chapa dos sonhos" do PT incluiria Pacheco no governo e Kalil e Marília Campos no Senado, apesar da resistência de Kalil.

O cenário político em Minas Gerais para as eleições de 2026 é marcado por intensas movimentações do PT para reconfigurar as alianças e candidaturas. O pré-candidato do PDT ao governo mineiro, Alexandre Kalil, expressou irritação com a pressão petista para que ele abandone a disputa pelo Palácio Tiradentes em favor de uma vaga no Senado. A insatisfação de Kalil é acentuada pela percepção de ter sido "abandonado" por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após as eleições de 2022.
Kalil e o Distanciamento com o PT
Alexandre Kalil, que disputou o governo mineiro pelo PSD em 2022 e apoiou Lula na eleição presidencial, queixa-se de não ter recebido sequer um telefonema do petista depois de sua derrota para Romeu Zema (Novo). Embora negue publicamente a mágoa, há um distanciamento nítido entre os dois. O ex-prefeito de Belo Horizonte busca posicionar-se ao centro para garantir uma vaga no 2º turno do pleito, entendendo que conseguiu reconstruir sua base eleitoral na região metropolitana após a ruptura com o PT. Em novembro de 2025, houve uma tentativa de Edinho Silva, presidente do PT, de convencer Kalil a se candidatar pelo governo de Minas como representante de Lula, mas a conversa não surtiu efeito. Kalil deixou o PSD para se filiar ao Republicanos em 2024, após se desentender com Alexandre Silveira (PSD), que Lula nomeou ministro de Minas e Energia após a eleição de 2022.
Rodrigo Pacheco na Mira do PT
O PT trabalha ativamente para que o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) seja o candidato ao governo de Minas Gerais, assegurando um palanque robusto para Lula. Para isso, Pacheco precisa deixar o PSD, já que o vice-governador Mateus Simões é do partido e indicado de Romeu Zema, pré-candidato à Presidência. Pacheco aguarda até o limite da janela partidária, que se encerra em 3 de abril, para definir sua nova legenda. Em 25 de março, Pacheco jantou em Brasília com o prefeito do Recife e presidente nacional do PSB, João Campos, em um movimento para filiá-lo à sigla, embora não haja definição ainda. Edinho Silva avalia que a entrada de Pacheco no PSB é uma "possibilidade bem encaminhada", e em 29 de março de 2026, em Contagem (MG), durante evento de lançamento da pré-candidatura da prefeita Marília Campos (PT) ao Senado, definiu como uma "chapa dos sonhos" ter Pacheco no governo, com Kalil e Marília compondo as duas vagas ao Senado.
Abertura para Cleitinho Azevedo e Outras Alianças
Edinho Silva também demonstrou abertura para conversar com o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG), afirmando que "conversar não faz mal nenhum". Cleitinho, em 30 de março de 2026, declarou não ter sido procurado por Edinho, mas indicou ter recebido a declaração de forma positiva. O congressista reiterou seu apoio à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, mas abriu espaço para se manter "independente" no plano nacional, caso não tenha o respaldo do filho de Jair Bolsonaro ou seu apoio seja rejeitado. Pesquisas eleitorais atuais mostram Cleitinho liderando as intenções de voto para o governo de Minas Gerais.