Roberto Kalil Filho toma posse na ANM com presença de Lula e defende humanismo na medicina
O cardiologista Roberto Kalil Filho tomou posse como membro titular da Academia Nacional de Medicina (ANM) em 22 de maio de 2026, com a presença inédita do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em seu discurso, Kalil defendeu o SUS, criticou a espetacularização da medicina e a desinformação, e ressaltou que a tecnologia não substitui o caráter humano e ético da profissão.

O cardiologista Roberto Kalil Filho tomou posse nesta sexta-feira (22.mai.2026) como integrante titular da Academia Nacional de Medicina (ANM), uma das principais instituições científicas do país. A cerimônia, realizada no Rio, contou com a presença do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ministros do Supremo Tribunal Federal e do governo, empresários e artistas, marcando a 1ª vez que um presidente da República esteve na posse de um integrante da academia. Kalil assume a cadeira nº 1 da Secção de Medicina, sucedendo o pneumologista José Manoel Jansen, que ocupou a posição até seu falecimento em 9 de agosto de 2025. O patrono da cadeira é Joaquim Cândido Soares de Meirelles, fundador da ANM.
Defesa do SUS e Crítica à Espetacularização da Medicina
Em seu discurso de posse, Roberto Kalil Filho defendeu o SUS (Sistema Único de Saúde), o combate à desinformação e a preservação do caráter humanista da medicina. Médico pessoal do Presidente Lula, Kalil enfatizou a necessidade de a ANM ocupar espaço no debate público, atuando como referência científica. “O país precisa de vozes que falem de ciência sem demagogia. De saúde sem populismo. De medicina sem espetáculo”, declarou. O cardiologista classificou o acesso universal a tratamentos como uma obrigação ética.
Ele criticou veementemente a espetacularização da medicina e alertou para os riscos da desinformação em saúde. Para Kalil, médicos devem “defender a ciência sem arrogância” e “combater a desinformação sem perder a capacidade de diálogo”. O médico também afirmou que os avanços tecnológicos não substituem a dimensão humana da profissão. “A tecnologia transforma a prática médica, e é magnífico que o faça. Mas não substitui a compaixão. Não substitui a escuta empática. Não substitui a responsabilidade moral diante do sofrimento alheio”, disse. Ao abordar a inteligência artificial na medicina, Kalil reforçou que o julgamento clínico continua sendo indispensável, declarando: “A clínica permanece o centro moral da medicina”.
Ciência com Ética e Humanismo Essenciais
Em outro trecho, o cardiologista resumiu sua visão sobre a ciência e a medicina, afirmando que “ciência sem ética é perigosa” e “tecnologia sem humanismo é vazia”. Kalil homenageou nomes históricos da medicina brasileira, como Adib Jatene e Silvano Raia, e pediu que a medicina mantenha o compromisso com a dignidade humana e a esperança coletiva. Encerrando o discurso, o médico parafraseou o cantor e compositor Gilberto Gil, presente na cerimônia: “Contra a treva física e moral, que haja ao menos a chama de uma vela até chegarmos à luz do luar”. Ele acrescentou que “se a noite inventa a escuridão, a luz inventa o luar”.
Perfil de Roberto Kalil Filho
Com 66 anos, Roberto Kalil Filho nasceu em São Paulo em 7 de julho de 1959. É um dos cardiologistas mais renomados e influentes do Brasil, ocupando cargos como presidente do Conselho Diretor do InCor, diretor-geral de cardiologia do hospital Sírio-Libanês e professor titular de cardiologia da USP. Ao longo de sua carreira, tratou diversos presidentes da República, ministros, empresários e artistas, mantendo a postura de não diferenciar pacientes por seu cargo. Ele graduou-se em medicina em 1985 na Universidade Santo Amaro, em São Paulo, e realizou residência médica no Hospital das Clínicas e no Instituto do Coração, especializando-se em clínica médica e cardiologia. Posteriormente, dedicou 3 anos à pesquisa na Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, onde conduziu estudos sobre doença coronária, publicou trabalhos em revistas internacionais e concluiu seu doutorado e pós-doutorado.