Economia

Semana de 40h: Custo da Mão de Obra na Construção Ameaça Moradias Populares

Um estudo da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) aponta que a proposta de redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais pode elevar em até 15% o custo da mão de obra na construção civil, com impacto anual estimado em R$ 20,3 bilhões. A medida pode pressionar o preço de moradias populares, como as do programa Minha Casa, Minha Vida, dificultando o acesso para famílias de baixa renda e ampliando o déficit habitacional.

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Semana de 40h: Custo da Mão de Obra na Construção Ameaça Moradias Populares
Foto: Reprodução / Leia Política
BRASÍLIA, DF -

Um estudo divulgado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) alerta que a proposta de redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais pode gerar um aumento de até 15% no custo da mão de obra na construção civil. A estimativa anual desse impacto é de R$ 20,3 bilhões, caso as horas suprimidas sejam compensadas com o pagamento de horas extras.

Segundo a associação, essa elevação de custos tem o potencial de pressionar os preços de moradias populares, em especial as do programa Minha Casa, Minha Vida, onde a mão de obra representa aproximadamente 60% do valor total dos projetos. A CBIC adverte que o repasse desses aumentos aos imóveis dificultaria o acesso à moradia para famílias de baixa renda, o que agravaria o déficit habitacional do país.

Cenários para Manutenção da Produtividade

O levantamento da CBIC estima que a redução da jornada laboral representaria uma perda de quase 600 milhões de horas trabalhadas por ano. Para mitigar esse impacto e manter o ritmo atual das obras, o setor vislumbra três cenários distintos: a contratação de 288 mil novos trabalhadores, implicando um custo adicional de R$ 13,5 bilhões anuais; a adoção generalizada de horas extras, elevando o custo da mão de obra de R$ 135,3 bilhões para R$ 155,6 bilhões; ou a redução da atividade do setor, que resultaria em queda na produtividade e atrasos significativos na entrega de obras.

Custos em Ascensão e Desemprego Reduzido

O estudo contextualiza a discussão sobre a jornada de trabalho em um cenário de baixo desemprego. A CBIC informa que a taxa de desemprego encerrou 2025 em 5,1%, marcando o menor nível histórico do país, o que poderia complicar a contratação de novos profissionais para compensar a diminuição das horas trabalhadas.

Adicionalmente, a entidade ressalta que os custos da construção já estão avançando acima da inflação oficial. Enquanto o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou alta de 4,44% em 12 meses até janeiro de 2026, o custo da mão de obra no setor da construção civil registrou um aumento de 8,93% no mesmo período. Diante disso, a associação defende que quaisquer alterações na jornada de trabalho sejam acompanhadas de medidas efetivas para elevar a produtividade do setor.

Escrito por Redação Leia Política