STF: Gilmar Mendes condena vazamento de dados de banqueiro como "criminoso"
O decano do STF, Gilmar Mendes, classificou nesta quinta-feira (26.mar.2026) como "criminoso" e "abominável" o vazamento de mensagens do fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, ocorrido no âmbito da CPMI do INSS. A declaração foi dada durante julgamento que impediu a prorrogação da comissão. Gilmar criticou a divulgação de informações, ressaltando que parlamentares sabiam da ilegalidade do ato. O ministro Alexandre de Moraes concordou, enquanto Martha Graeff, ex-namorada de Vorcaro, considera acionar a Justiça pela exposição de seus diálogos íntimos.

O decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, classificou nesta quinta-feira (26.mar.2026) como "criminoso" e "abominável" o vazamento de mensagens do fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro. A declaração foi proferida durante o julgamento que barrou a prorrogação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, anteriormente autorizada pelo ministro André Mendonça.
Crítica direta a parlamentares.
Gilmar Mendes dirigiu-se ao senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da comissão, e ao deputado federal Alfredo Gaspar (União-AL), relator, que estavam presentes no plenário. "É bom que os parlamentares que estão aqui possam escutar isso", disse o ministro. Ele afirmou categoricamente: "A quebra de sigilo conglobada, sem fundamentação, isto obviamente é inconstitucional. Isto é ilegal e os senhores sabem que é ilegal." O decano prosseguiu, declarando: "Como também é deplorável que quebrem sigilo e divulguem. Abominável."
O ministro Alexandre de Moraes concordou com a avaliação de Mendes, reforçando que o vazamento foi "criminoso". Em resposta, André Mendonça afirmou que as "decisões foram cumpridas" e que a preocupação com o vazamento é importante, citando a abertura de um inquérito para investigar as informações e a devolução da matéria para a Polícia Federal. "Os vazamentos atrapalham a investigação", disse Mendonça.
Manifestações anteriores e dados vazados.
Gilmar Mendes já havia se manifestado publicamente sobre a exposição das conversas entre Daniel Vorcaro e Martha Graeff, ex-namorada do banqueiro, em uma publicação feita no X (antigo Twitter) em 9 de março. Para o decano, era "ainda mais grave" que os diálogos tivessem sido divulgados na semana do Dia Internacional da Mulher. Ele escreveu que, "ao permitir a publicação de diálogos íntimos de um casal, o Estado e seus agentes não apenas falham em seu dever de guarda, mas desrespeitam a legislação, que impõe categoricamente a inutilização de trechos que não interessam à persecução penal".
A Polícia Federal enviou à CPMI do INSS uma pasta com 1,08 GB de dados da perícia realizada em celulares de Vorcaro. Deste total, 221 arquivos do banqueiro, que acabaram vazados, somam 329,3 MB, contendo imagens, e-mails, contatos e documentos. Um dos arquivos centrais inclui um documento em texto com 1.687 páginas de mensagens trocadas entre Vorcaro e sua ex-namorada, Martha Graeff.
Martha Graeff avalia acionar a Justiça.
Martha Graeff afirmou que avalia recorrer à Justiça em razão da divulgação de suas mensagens de texto trocadas com Daniel Vorcaro. Em nota assinada por seu advogado, ela qualificou a exposição como uma "grave violência", "manifestamente ilegal e impressionantemente inútil". A modelo declarou que não mantém relacionamento com Vorcaro "há meses" e que "jamais esteve envolvida em qualquer tipo de ilicitude penal". Graeff não é alvo da operação Compliance Zero, que culminou na nova prisão de Vorcaro em 4 de março. Segundo seu advogado, a divulgação "fragmentada" das mensagens "mostra-se não apenas inócua a qualquer procedimento penal, mas subversiva aos valores morais e garantias constitucionais que asseguram a inviolabilidade da intimidade".