Economia

Taxa Selic elevada gerou 'gordura' para BC agir com 'transatlântico', diz Galípolo

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta segunda-feira (30.mar.2026) que a manutenção da taxa Selic em patamar elevado por tempo prolongado criou uma "gordura" para a política monetária, permitindo serenidade em meio à incerteza global, especialmente a guerra no Oriente Médio. Ele comparou a atuação do BC a um "transatlântico" e defendeu a postura conservadora do colegiado em São Paulo.

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Taxa Selic elevada gerou 'gordura' para BC agir com 'transatlântico', diz Galípolo
Foto: Reprodução / Leia Política
SÃO PAULO, SP - O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, declarou nesta segunda-feira (30.mar.2026) que a manutenção da taxa básica de juros, a Selic, em nível elevado por um período prolongado criou uma "gordura" para a gestão da política monetária. Essa medida foi crucial para permitir uma atuação serena em um cenário de incerteza global, particularmente devido à guerra no Oriente Médio.

Ação do BC: "Transatlântico", não jet-ski

Galípolo reiterou que os movimentos do Banco Central são comparáveis à manobra de um "transatlântico", caracterizados pela prudência e não pela agilidade de um jet-ski. A declaração foi feita durante sua participação no evento "J. Safra Macro Day 2026", promovido pelo Banco J. Safra em São Paulo. O presidente do BC afirmou que a política monetária contracionista implementada ao longo de 2026 tem demonstrado eficácia na economia, resultando na desaceleração da atividade.

Postura conservadora e papel do colegiado

O dirigente do Banco Central enfatizou que a autoridade monetária sempre agirá de maneira serena e "parcimoniosa" em suas decisões. "É normal que o Banco Central esteja sempre um pouquinho mais para o lado conservador da sua reação", disse Galípolo. Ele defendeu o papel do colegiado para mitigar o peso de posições mais "extremadas", citando como exemplo debates em 2025 onde grupos defendiam uma Selic a 18% ao ano, enquanto outros se opunham ao patamar de 15%, que prevaleceu por nove meses.

"Gordura" acumulada e o horizonte da Selic

Galípolo explicou que a manutenção da Selic no nível atual por um período extenso consolidou a confiança no mercado. "Essa gordura que foi acumulada com posição mais conservadora ao longo das últimas reuniões de Copom permitiu que, mesmo diante de novos fatos, esses novos fatos não alteraram a conjuntura como um todo, à luz do que vem acontecendo do ponto de vista da transmissão da política monetária e das incertezas que se tem sobre os efeitos de um choque de oferta com petróleo", detalhou. Ele acrescentou que essa "gordura" possibilitou "ganhar tempo para ver, para entender, para aprender mais".

O Banco Central manteve a Selic em 15% ao ano de junho de 2025 a março de 2026. A política monetária opera com efeitos defasados na economia, com um horizonte relevante de 18 meses. Na reunião mais recente, o Copom (Comitê de Política Monetária) decidiu reduzir a taxa básica em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano, mas indicou um ciclo de cortes menor do que o esperado inicialmente, atribuindo a revisão ao início dos conflitos no Oriente Médio.

Projeções macroeconômicas pioram com ciclo de flexibilização menor

A percepção de um ciclo de flexibilização monetária menos intenso é corroborada pela piora nas projeções dos agentes financeiros para os principais indicadores macroeconômicos. Nesta segunda-feira (30.mar.2026), o Boletim Focus revelou que a mediana das estimativas para a inflação de 2026 subiu para 4,31%. O Itaú BBA apresentou uma projeção ainda mais pessimista, de 4,50%, atingindo o teto da meta, e também elevou sua estimativa para a taxa Selic de 12,25% para 13%.

Escrito por Redação Leia Política