Judiciário

Tribunal Arbitral Restaura Poderes da Eagle Bidco e Aprofunda Crise na SAF do Botafogo

O Tribunal Arbitral da FGV devolveu os direitos de voto à Eagle Bidco, controladora de 90% da SAF do Botafogo, e considerou irregular a permanência de Durcesio Mello na gestão. A decisão, que precede uma Assembleia Geral Extraordinária, acirra a disputa pelo controle e coloca em questão a recuperação judicial do clube, além de revogar parcialmente a proteção de John Textor.

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Tribunal Arbitral Restaura Poderes da Eagle Bidco e Aprofunda Crise na SAF do Botafogo
Foto: Reprodução / Leia Política

RIO DE JANEIRO, RJ - O Tribunal Arbitral da Fundação Getulio Vargas (FGV) decidiu, na última segunda-feira (11.mai.2026), devolver os direitos de voto à Eagle Bidco, empresa que controla 90% da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Botafogo. A mesma decisão considerou irregular a permanência de Durcesio Mello na gestão do clube, intensificando a disputa pelo controle da SAF alvinegra. As informações foram divulgadas pelo portal GE.

Irregularidade na Gestão de Durcesio Mello

A deliberação do tribunal foi divulgada às vésperas de uma Assembleia Geral Extraordinária convocada pelo clube para 14 de maio. Segundo os árbitros, Durcesio Mello assumiu o comando da SAF antes da formalização judicial de sua nomeação e sem comunicar previamente o Tribunal Arbitral, configurando uma violação das regras do processo de arbitragem.

O colegiado arbitral afirmou que o afastamento do dirigente seria uma “consequência lógica” da irregularidade identificada, e indicou a possibilidade de má-fé no processo pelo descumprimento das determinações arbitrárias. Contudo, Durcesio Mello continua no cargo de diretor-geral da SAF por decisão da 2ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), publicada em 28 de abril.

Conflito de Competência e STJ

O tribunal também identificou um conflito de competência entre a Justiça comum e a arbitragem a respeito dos direitos políticos da Eagle Bidco. Diante disso, determinou que o caso seja encaminhado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para resolução.

Na prática, a decisão arbitral restaura a participação da Eagle Bidco nas deliberações da SAF, incluindo sua representação na Assembleia Geral Extraordinária. A empresa havia perdido os direitos de voto após uma decisão da Justiça do Rio no final de abril.

Impacto nas Negociações e na Recuperação Judicial

Com o restabelecimento dos poderes políticos, a Cork Gully, administradora da Eagle Bidco, retoma a capacidade de negociar a venda das ações da SAF. Até então, o clube associativo, que detém 10% da sociedade, estava conduzindo as tratativas para encontrar um novo investidor. A empresa norte-americana GDA Luma, principal credora da SAF, desponta entre as interessadas, conforme apurações do GE.

O empresário John Textor também sofreu uma nova reavaliação. O Tribunal Arbitral revogou parcialmente a decisão que o protegia de mudanças operacionais dentro da SAF. O executivo já havia sido afastado da administração em 23 de abril, a pedido da Eagle Bidco, sob a alegação de que suas medidas poderiam causar “danos irreparáveis” aos acionistas e torcedores.

A decisão ainda pode ter reflexos na recuperação judicial da SAF. O Botafogo esperava receber R$ 122,3 milhões de uma ação movida contra o Olympique Lyonnais, mas a nova configuração jurídica pode alterar o reconhecimento dessa dívida. Além dos impasses societários, o clube enfrenta dificuldades financeiras e recebeu, na mesma segunda-feira (11.mai), o terceiro 'transfer ban' aplicado pela Fifa.

Tentativa de Contato sem Sucesso

O Poder360 tentou contato com Durcesio Mello e John Textor, figuras centrais na reportagem, mas não obteve sucesso em encontrar telefones ou e-mails válidos para informá-los sobre o conteúdo desta matéria. Este jornal digital manterá as tentativas de contato e este texto será atualizado caso alguma manifestação seja enviada.

Escrito por Redação Leia Política