Trump Suspende Ataques ao Irã Por Dez Dias em Meio a Negociações
O presidente norte-americano Donald Trump anunciou a suspensão temporária, por dez dias, de ataques a instalações energéticas iranianas. A medida, que já é a segunda em menos de uma semana, visa dar prosseguimento às negociações entre os países, apesar das tensões e do ultimato anterior relacionado ao estreito de Ormuz.

WASHINGTON, EUA - O presidente norte-americano, Donald Trump (Partido Republicano), determinou a suspensão temporária, por dez dias, de ataques a instalações energéticas iranianas. A medida, anunciada pela Casa Branca nesta 5ª feira (26.mar.2026), terá validade até 6 de abril, às 20h (horário de Washington, 21h em Brasília). Esta é a segunda pausa determinada pelo presidente dos EUA em menos de uma semana.
Segundo Trump, a decisão atende a um pedido do governo iraniano e se baseia no progresso das negociações. "As conversas estão avançando e, apesar de declarações errôneas da mídia de fake news, elas estão indo muito bem", afirmou o republicano.
Reviravolta na Postura Diplomática
A suspensão dos bombardeios ocorre enquanto os dois países mantêm negociações. Na 2ª feira (23.mar), Trump já havia declarado que o país iria “adiar todos e quaisquer ataques militares contra usinas de energia e infraestruturas energéticas” do Irã por cinco dias. Essa decisão reforça uma mudança significativa na posição de Trump, que anteriormente havia afirmado que não negociaria com os iranianos.
No sábado (21.mar), o atual presidente dos EUA havia dado um ultimato ao país persa, exigindo a liberação do estreito de Ormuz em 48 horas, sob ameaça de destruir as usinas de energia do Irã. A passagem, vital para o transporte de 25% da produção global de petróleo, foi bloqueada pelo Irã em resposta aos ataques de EUA e Israel, que mataram o líder supremo, Ali Khamenei, em 28 de fevereiro.
Ameaças Iranianas e Instabilidade Regional
Em contrapartida ao ultimato anterior de Trump, a Guarda Revolucionária iraniana declarou que fecharia o estreito indefinidamente caso os EUA bombardeassem a infraestrutura energética do país. O porta-voz do Quartel-General Central Khatam Al-Anbiya, Ebrahim Zolfaqari, afirmou que a resposta incluiria quatro medidas imediatas: fechamento completo de Ormuz; ataques amplos contra usinas de energia, infraestrutura energética e redes de tecnologia e comunicações de Israel; destruição de empresas similares na região com acionistas norte-americanos; e ataque a usinas de energia em países do Oriente Médio que hospedam bases dos EUA.
A ameaça iraniana também se estende a plantas de dessalinização, estruturas essenciais para o abastecimento de água, e infraestruturas petrolíferas em todo o Golfo Pérsico, caso suas usinas sejam atingidas. Cerca de 100 milhões de pessoas vivem em países desérticos que dependem dessas plantas para manter o abastecimento.
Alerta e Impacto Global
Apesar da pausa diplomática, o clima de alerta persiste. No domingo (22.mar), o Irã testou, pela primeira vez, um míssil com alcance de 4.000 km. Segundo a inteligência israelense, o projétil tem capacidade de atingir quase todas as capitais europeias, incluindo Londres, Paris e Berlim.
A sinalização de Trump trouxe um alívio imediato aos preços das commodities. O barril do petróleo havia saltado para US$ 115 com o fechamento de Ormuz, pressionando o preço do diesel no Brasil para a casa dos R$ 7,22. A manutenção da trégua é vista como essencial para evitar um colapso energético global e um repique inflacionário em ano eleitoral nos EUA e no Brasil.
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, também declarou que a infraestrutura crítica, energética e petrolífera do Oriente Médio passará a ser considerada “alvo legítimo” se os norte-americanos atingirem as usinas iranianas.