UOL Revela: Lula Aconselhou Dono do Banco Master a Não Vender a André Esteves
Reportagem do UOL, baseada em documentos da PF, detalha como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aconselhou Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, a não vender sua instituição ao BTG Pactual por um valor simbólico em uma reunião no Planalto em dezembro de 2024. Lula criticou o então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e André Esteves, do BTG. A presença de Gabriel Galípolo, futuro presidente do BC, na reunião, influenciou Vorcaro, que posteriormente tentou uma operação com o BRB, vetada pelo Banco Central em setembro de 2025, e considerou retomar o plano original com o BTG.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aconselhou pessoalmente Daniel Vorcaro, então dono do Banco Master, a não vender sua instituição para o BTG Pactual, de André Esteves, por um valor simbólico de R$ 1. A revelação é do portal UOL, em reportagem publicada neste domingo (17.mai.2026) para assinantes, baseada em documentos obtidos pela Polícia Federal no âmbito da operação Compliance Zero.
O Encontro no Palácio do Planalto em 2024
A reunião crucial ocorreu em 4 de dezembro de 2024, no Palácio do Planalto. Segundo o UOL, Vorcaro buscou o conselho do presidente da República, expressando sua relutância em vender o banco ao BTG e seu desejo de reduzir a concentração bancária no Brasil. Presentes no encontro estavam o então ministro da Casa Civil, Rui Costa, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, o então CEO do Banco Master, Augusto Lima, e Gabriel Galípolo, que havia sido designado para assumir a presidência do Banco Central. Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda e lobista de Vorcaro em Brasília, articulou a audiência, que foi registrada oficialmente no sistema dias depois.
Na ocasião, Lula respondeu a Vorcaro com críticas ao então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, cujo mandato terminaria em dezembro de 2024, e a André Esteves, CEO do BTG Pactual. O principal conselho do presidente foi para que Vorcaro seguisse com o Banco Master, sem aceitar a proposta de Esteves. A insatisfação de Lula com Esteves, que havia sugerido falhas na política econômica e um futuro presidente de oposição, reforçou sua visão de Vorcaro como um aliado para aumentar a presença da esquerda no mercado financeiro. Lula também enxergou no discurso de Vorcaro a possibilidade de mudar a configuração do sistema bancário brasileiro, dominado por poucas instituições.
A Influência Presidencial e o Banco Central
Daniel Vorcaro interpretou a presença de Gabriel Galípolo e as críticas presidenciais a Roberto Campos Neto como um forte incentivo para continuar com o Banco Master. O presidente chegou a afirmar que em breve a autarquia teria um novo presidente, em substituição a Campos Neto. Dados mostram que, na gestão de Galípolo, o Banco Master teve 41 encontros com o Banco Central nos primeiros 11 meses de 2025, contrastando com 24 encontros nos seis anos da gestão de Roberto Campos Neto.
Após o encontro, Vorcaro comemorou com sua então namorada, Martha Graeff, via mensagens obtidas pela PF: “Foi ótimo”, e destacou que Lula havia chamado “presidente do banco central que vai entrar” e “3 ministros”. Martha Graeff reagiu com um “Wowwwwww” e expressou a vontade de “saber de tudo”.
Negociações e o Veto do Banco Central
Seguindo o conselho de Lula, Vorcaro fechou uma negociação com o BRB, banco estatal do Distrito Federal, em março de 2025. No entanto, essa operação enfrentou forte oposição no mercado financeiro e acabou sendo vetada pelo Banco Central, já sob o comando de Gabriel Galípolo, em setembro de 2025. Mensagens em posse da PF revelam que, já em 10 de abril de 2025, Vorcaro discutia novamente com seu então sócio Augusto Lima o plano de vender o Master ao BTG, percebendo as dificuldades da operação com o BRB.
Augusto Lima, por sua vez, deixou o Master em 24 de julho de 2025, ficando com o banco Voiter (posteriormente Pleno), uma operação que foi autorizada pelo Banco Central sob Galípolo, mesmo com o conhecimento da existência de fraudes. As mensagens entre Vorcaro e Lima, com o pedido de Vorcaro para que Lima não divulgasse o plano de venda ao BTG, demonstram a incerteza e a busca por saídas do dono do Banco Master diante dos desafios regulatórios e de mercado.