Urnas Eletrônicas Completam 30 Anos no Brasil em Meio a Divergências de Pré-Candidatos
O sistema de votação eletrônica no Brasil completa 30 anos em maio de 2026, com o TSE realizando um evento comemorativo. Apesar de auditorias e ausência de fraudes comprovadas, o tema divide opiniões entre os 12 pré-candidatos à Presidência. O artigo detalha as posições de Aldo Rebelo, Cabo Daciolo, João Costa, Flávio Bolsonaro, Hertz Dias, Lula, Renan Santos e o pré-candidato do Novo, que vão desde a defesa da segurança do sistema até a crítica e o pedido por mecanismos adicionais de transparência ou voto impresso.

O sistema de votação eletrônica no Brasil completa 30 anos de uso em maio de 2026. No entanto, a efeméride é marcada por um cenário de desconfiança, ainda que nenhuma fraude tenha sido comprovada até o momento. Dos 12 pré-candidatos à Presidência da República nas eleições deste ano, 3 criticam as urnas eletrônicas e defendem o voto impresso. Nesta segunda-feira (4.mai.2026), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) realiza um evento comemorativo, conduzido pela ministra Cármen Lúcia, presidente da Corte.
Histórico e Confiabilidade das Urnas Eletrônicas
As urnas eletrônicas foram introduzidas no Brasil em 1996, em um projeto piloto, e adotadas em todo o território nacional a partir do ano 2000. Essa implementação resultou em uma apuração mais rápida e na redução de fraudes que eram comuns no sistema de voto em papel. Ao longo de três décadas, o sistema foi aprovado por diversas auditorias e testes públicos de segurança, sem que qualquer fraude fosse comprovada.
Aldo Rebelo Defende Manutenção e Mais Transparência
Em entrevista ao Poder360, Aldo Rebelo defendeu a manutenção do sistema de urnas eletrônicas. Ele ressaltou que "sempre houve no Brasil uma desconfiança sobre a segurança do sistema eletrônico, mas isso não significa uma insegurança sobre o processo eleitoral, e sim sobre as urnas". Para Rebelo, a insegurança é inerente a qualquer sistema eletrônico e deve ser respondida com medidas que reduzam a vulnerabilidade, não com proibições. O pré-candidato sugeriu a adoção de "alternativas que compatibilizem o voto eletrônico com outro sistema". Em nota, Rebelo declarou considerar as urnas eletrônicas "seguras" e ter "confiança no sistema", mas reconheceu a insegurança de milhões de brasileiros, sugerindo estudar "mecanismos adicionais de transparência, como amostragens auditáveis", desde que não comprometam o sigilo nem a eficiência.
Cabo Daciolo Questionou Votação em 2018
Em 2018, Cabo Daciolo, então candidato à presidência, pediu ao TSE a anulação da votação do 1º turno das eleições, alegando "várias fraudes" sem apresentar provas. Três anos depois, em 2021, Daciolo foi intimado a depor no TSE em inquérito sobre informações falsas acerca de fraudes nas urnas. Na época, ele afirmou que, diante de "fragilidade nas urnas eletrônicas", seria necessário que o TSE realizasse votação em cédulas em casos excepcionais.
João Costa Afirma Urnas Brasileiras são "Altamente Seguras"
Questionado pelo Poder360, o pré-candidato à Presidência pelo PCB, João Costa, afirmou que o método de votação é seguro, declarando que "As urnas eletrônicas brasileiras são altamente seguras, com uma tecnologia das mais avançadas do mundo".
Flávio Bolsonaro Defende Voto Impresso Auditável
Flávio Bolsonaro defendeu que o voto na urna eletrônica seja impresso e que os papéis sejam depositados automaticamente em uma urna de acrílico. A justificativa é que, em caso de acusações de fraude no sistema eletrônico, os votos em papel poderiam ser apurados manualmente. Em janeiro de 2021, ele publicou no X que hackers já invadiram outros sistemas mais complexos. Em outubro de 2022, o senador afirmou ao jornal O Globo, antes do 2º turno das eleições, não haver registro de fraude no 1º turno, mas depois alterou o discurso, dizendo que as Forças Armadas ainda coletavam informações para um relatório que, posteriormente, seu pai, Jair Bolsonaro, disse que não seria publicado. Em 2018 e 2017, Flávio já havia postado em redes sociais que não havia como garantir a ausência de fraudes nas urnas eletrônicas e que o voto impresso seria necessário para o "sepultamento" da velha política.
Hertz Dias Critica Controle do "Grande Capital" no Sistema Eleitoral
Hertz Dias afirmou não haver motivos para questionar os resultados das urnas eletrônicas, mas apontou que o principal problema do sistema eleitoral antecede as urnas, residindo no controle exercido pelo "grande capital". Segundo Dias, as regras "absolutamente antidemocráticas" perpetuam os mesmos partidos e projetos, mantendo o status quo e o regime atual, impedindo novos projetos que contestem a ordem capitalista. Ele acrescentou que a extrema direita questiona as urnas não para "aperfeiçoar" o sistema, mas como um instrumento para impor um regime "ainda mais antidemocrático, ou, na prática, uma ditadura".
Lula Criticou Desconfiança de Bolsonaro, mas Defendeu Verificação em 2002
Em 2022, Lula classificou como "idiotice" as críticas de Bolsonaro às urnas eletrônicas. Em 2021, ele elogiou o Congresso por rejeitar a PEC do voto impresso, referindo-se à decisão como a rejeição da "volta dos dinossauros". Contudo, em 2002, antes de sua primeira eleição, Lula defendeu a adoção de mecanismos de verificação dos resultados das urnas, como a impressão de comprovante de voto para conferência posterior.
Renan Santos Critica "Sabujos do Voto Impresso"
Renan Santos criticou nas redes sociais apoiadores e aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro que desconfiam das urnas eletrônicas. Em agosto de 2021, ele os chamou de "sabujos do voto impresso" e escreveu que o "capachismo no voto impresso" havia encerrado qualquer chance de reunificação da direita.
Pré-candidato do Novo Favorável ao Voto Eletrônico
O pré-candidato do Novo afirmou à CNN em 2021 ser totalmente favorável ao voto eletrônico e contrário à impressão do comprovante, em meio às críticas de Jair Bolsonaro ao voto impresso. Ele argumentou que não imprime sua conta bancária ou extrato de cartão de crédito e que "o meio digital veio pra ficar", mencionando a existência de auditoria digital.