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Vazamento de áudios e defesa de Nikolas Ferreira intensificam pressão por CPI do Banco Master

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) defendeu Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após vazamento de conversas com Daniel Vorcaro, do Banco Master, onde o senador solicitava patrocínio para um filme. Nikolas pediu a instalação da CPMI do Banco Master, questionando a repercussão de escândalos no governo Lula. Flávio Bolsonaro confirmou o pedido de financiamento privado, negando vantagens ou uso de verbas públicas, enquanto outros aliados de Jair Bolsonaro também são citados no caso.

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Vazamento de áudios e defesa de Nikolas Ferreira intensificam pressão por CPI do Banco Master
Foto: Reprodução / Leia Política

BRASÍLIA, DF - O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) utilizou suas redes sociais na quarta-feira (13.mai.2026) para defender o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após o vazamento de conversas com Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. A controvérsia reacendeu o debate sobre a transparência em financiamentos políticos e empresariais no Brasil.

Defesa e Questionamentos de Nikolas Ferreira

Em sua publicação no X, Nikolas Ferreira questionou a disparidade na repercussão de escândalos envolvendo o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em comparação com outros casos. O deputado citou o “escândalo do INSS” e “contratos milionários envolvendo o Banco Master e ministros, além de pessoas ligadas ao governo Lula” como exemplos de controvérsias que, em sua visão, recebem menor atenção.

Diante do cenário, Ferreira pediu a imediata instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Banco Master, afirmando a existência de “milhares de perguntas que precisam ser esclarecidas” e que a CPMI seria a única via para elucidar os fatos relacionados às ações de Vorcaro. Ele ainda advertiu que “quem agora silenciar, estará acusando o seu medo e, consequentemente, sua culpa”.

Paralelamente, o próprio Nikolas Ferreira teve seu nome associado a Vorcaro. O deputado utilizou um jato da Prime You, empresa que era ligada ao ex-banqueiro, durante o segundo turno das eleições de 2022, em voos realizados entre 20 e 28 de outubro daquele ano em apoio à candidatura de Jair Bolsonaro (PL). Na época, Ferreira alegou que a logística foi organizada por terceiros e que não caberia a ele responder por desdobramentos envolvendo o sócio da empresa proprietária.

Envolvimento de Flávio Bolsonaro e o Filme

O vazamento de uma reportagem do Intercept revelou que Flávio Bolsonaro solicitou, em 2025, US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões na cotação da época) a Daniel Vorcaro para o financiamento de um filme. Vorcaro se comprometeu a pagar o montante em 14 parcelas, mas apenas US$ 10,6 milhões (R$ 61 milhões) foram efetivamente repassados.

Em um áudio de 8 de setembro de 2025, atribuído a Flávio Bolsonaro, o senador cobrava parcelas atrasadas, expressando preocupação com as “consequências negativas” que um calote poderia gerar à produção. “Imagina a gente dando calote num Jim Caviezel [ator], num Cyrus [Nowrasteh, diretor], os caras, pô, renomadíssimos lá no cinema americano e mundial. Pô, ia ser muito ruim”, disse Flávio no áudio.

Os repasses foram intermediados pela Entre Investimentos e Participações, controlada por Antonio Carlos Freixo Júnior, o “Mineiro”. As transferências foram direcionadas ao fundo Havengate Development Fund LP, localizado no Texas, EUA, com a participação de Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), irmão de Flávio.

A aproximação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro teve início em dezembro de 2024, intermediada pelo empresário Thiago Miranda. O primeiro encontro presencial ocorreu em 11 de dezembro de 2024, na residência de Vorcaro em Brasília. Em 16 de novembro de 2025, Flávio enviou uma mensagem a Vorcaro referindo-se a ele como “irmão” e declarando apoio “sempre”. No dia seguinte, 17 de novembro de 2025, Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal na operação Compliance Zero.

Defesa do Senador e Outros Envolvimentos

Flávio Bolsonaro se manifestou em nota na quarta-feira (13.mai), reiterando que considera “fundamental a instalação” de uma CPI do Banco Master. Ele defendeu que o caso se trata de um “filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai, sem o uso de verbas públicas ou da Lei Rouanet”.

O senador negou categoricamente ter oferecido vantagens, promovido encontros privados fora da agenda, intermediado negócios com o governo ou recebido dinheiro ou qualquer vantagem indevida. Flávio Bolsonaro ressaltou que conheceu Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia terminado e não existiam acusações públicas contra o banqueiro.

O caso Master também cita o possível envolvimento de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, como os ex-governadores Cláudio Castro (PL) do Rio de Janeiro, Ibaneis Rocha (MDB) do Distrito Federal, e Tarcísio de Freitas (Republicanos) de São Paulo. Este último recebeu doação de R$ 2 milhões para sua campanha de 2022 de Fabiano Zettel, sócio oculto do Banco Master.

Escrito por Redação Leia Política