Economia

Votação crítica sobre segurança em Ormuz no CSNU adiada por feriado

O Conselho de Segurança da ONU adiou a votação de uma resolução proposta pelo Bahrein para autorizar o uso de força defensiva no Estreito de Ormuz. O adiamento, atribuído ao feriado da Sexta-Feira Santa, abre espaço para negociações adicionais, já que a proposta enfrenta resistência de membros como Rússia e China, apesar das tentativas do Bahrein de suavizar o texto. O bloqueio iraniano no estreito, crucial para o comércio global de energia, pressiona os mercados.

Compartilhe
Ouvir AnáliseNarrado por IA
Votação crítica sobre segurança em Ormuz no CSNU adiada por feriado
Foto: Reprodução / Leia Política
NOVA YORK, EUA -

O Conselho de Segurança das Nações Unidas adiou a votação de uma resolução que autorizaria o uso de força “defensiva” para proteger a navegação no estratégico Estreito de Ormuz. A análise, prevista para esta 6ª feira (3.abr.2026), foi retirada da agenda na véspera em virtude do feriado da Sexta-Feira Santa, conforme a agência AFP. Até o momento, uma nova data não foi definida.

A proposta, submetida pelo Bahrein, visa permitir que países atuem individualmente ou em coalizões navais voluntárias para assegurar a passagem segura de embarcações na região. O texto autoriza o uso de “todos os meios defensivos necessários e proporcionais às circunstâncias” no estreito e em águas adjacentes, com o objetivo de impedir bloqueios ou interferências na navegação internacional por um período mínimo de 6 meses.

O adiamento ocorreu mesmo com o feriado já constando no calendário no momento da marcação inicial da votação. Diplomatas consultados pela Associated Press indicam que a mudança visa abrir espaço para negociações adicionais sobre o conteúdo do texto, que enfrenta oposição de integrantes permanentes do Conselho com poder de veto.

Oposição de Rússia e China à Proposta

Rússia e China manifestaram resistência à autorização do uso da força, mesmo em caráter defensivo. O embaixador chinês na ONU, Fu Cong, alertou que tal medida “levaria inevitavelmente a uma escalada maior da situação e a consequências graves”. Já o embaixador russo, Vassily Nebenzia, argumentou que a proposta “não resolve o problema” e defendeu o fim das hostilidades como a solução.

Diante dessa oposição, o Bahrein revisou o texto original para suavizar sua linguagem e restringir a atuação militar a ações estritamente defensivas. A nova versão removeu referências mais amplas ao uso da força, buscando ampliar o apoio entre nações como França, Rússia e China.

O embaixador francês, Jérôme Bonnafont, sinalizou que medidas com esse foco podem ser aceitáveis, ao declarar que “respostas defensivas necessárias” devem ser buscadas pelo Conselho.

Contexto Crítico no Estreito de Ormuz

O Estreito de Ormuz representa uma das principais rotas marítimas globais, por onde transita cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados mundialmente. O bloqueio quase total imposto pelo Irã, em retaliação aos recentes bombardeios conduzidos por Estados Unidos e Israel, tem exercido pressão sobre os preços de energia e impactado as cadeias de suprimento.

O embaixador do Bahrein na ONU, Jamal Alrowaiei, declarou que o projeto é apresentado “em um momento crítico” e afirmou que um “terrorismo econômico” que afeta a região e o restante do mundo não é aceitável.

Antes do adiamento, a expectativa, conforme a CNN, era de que a votação ocorresse ainda nesta 6ª feira (3.abr). O texto vinha sendo negociado paralelamente a esforços diplomáticos para evitar vetos de Rússia e China.

Apesar das alterações no texto, a aprovação da resolução ainda é incerta. Analistas avaliam que o documento enfrenta dificuldades para reunir os votos necessários, especialmente devido à possibilidade de veto.

Esforços Diplomáticos Paralelos e Negociações

Na 5ª feira (2.abr), o Reino Unido reuniu representantes de aproximadamente 40 países para discutir uma ação coordenada que viabilize a reabertura do Estreito de Ormuz.

O encontro virtual, liderado pela ministra das Relações Exteriores britânica, Yvette Cooper, debateu medidas diplomáticas e econômicas, reforçando o apelo pela liberdade de navegação. Os participantes solicitaram a reabertura imediata da rota e alertaram para os impactos globais do bloqueio, com reflexos sobre preços de energia, cadeias de suprimento e estabilidade econômica.

Paralelamente, o Irã está negociando, em conjunto com Omã, um protocolo para monitorar o tráfego no Estreito de Ormuz. O vice-ministro das Relações Exteriores iraniano, Kezem Gharibabadi, informou na 5ª feira (2.abr) que o documento está na fase final de preparação.

Escrito por Redação Leia Política