Zema acusa STF de "perseguição" após pedido de Gilmar Mendes para inclusão em inquérito
Romeu Zema (Novo), pré-candidato à Presidência, acusou o Supremo Tribunal Federal (STF) de perseguição nesta segunda-feira (20.abr.2026). A declaração ocorre após o ministro Gilmar Mendes solicitar a inclusão de Zema no inquérito das fake news, motivado por um vídeo satírico produzido por sua equipe que aborda a relação do STF com o Banco Master. Zema criticou a investigação, afirmando que ela é um "passe livre" para os ministros fazerem o que "bem entenderem".

O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência, Romeu Zema (Novo), afirmou nesta segunda-feira (20.abr.2026) que o Supremo Tribunal Federal (STF) está o perseguindo. A declaração surge em resposta ao ministro Gilmar Mendes, que solicitou ao ministro Alexandre de Moraes a inclusão de Zema no inquérito das fake news.
A apuração tem como base um vídeo de fantoche que satiriza o envolvimento do STF com o Banco Master. A publicação faz parte de uma série produzida pela equipe de Zema, intitulada "Os Intocáveis", ironizando o desfile do Carnaval sobre Lula e os desenrolares do caso Master.
Críticas de Romeu Zema à atuação do STF
Em um vídeo publicado em seu perfil oficial no Instagram, o pré-candidato afirmou que o inquérito das fake news é, na verdade, "um passe livre para fazer o que eles [ministros] bem entenderem". Zema ressaltou: "Eles são ao mesmo tempo a vítima, o acusador e o juiz, e não existe ninguém que possa mudar isso hoje".
O ex-governador questionou a possibilidade de satirizar quem está no poder no país, comparando a situação atual com o passado, quando humoristas e cartunistas como Charles Chaplin e o programa Casseta e Planeta questionavam o poder livremente. Ele destacou que "aqueles que se julgam intocáveis não toleram mais qualquer tipo de piada".
"O nome da série que minha equipe fez chama-se justamente Os Intocáveis, e com essa tentativa de me perseguir, eles mostram que são exatamente isso", disse Zema, expressando tristeza por ver "um país que está definhando e que não garante o mínimo de liberdade de expressão para seu povo". Zema finalizou citando George Orwell: "Se a liberdade significa alguma coisa, será sim, sobretudo, o direito de dizer às outras pessoas o que elas não querem ouvir".
Detalhes da Notícia-Crime e do Vídeo Satírico
Na notícia-crime, o ministro Gilmar Mendes afirmou que o ex-governador teria tratado com desdém "não apenas a honra e a imagem" do STF, mas também a sua própria honra. O ministro Alexandre de Moraes já encaminhou o caso à Procuradoria-Geral da República (PGR).
O vídeo satiriza a decisão de Gilmar Mendes que, em 27 de fevereiro, anulou a decisão da CPI do Crime Organizado, que havia determinado a quebra dos sigilos bancários, fiscal e telemáticos da empresa Maridth Participações, ligada à família de Toffoli. Mendes cita o uso de deepfake e "sofisticada edição profissional" para simular as vozes dos ministros e um diálogo "que, além de inexistente, tem como claro intuito vulnerar a higidez desta instituição da República", em referência ao STF. O primeiro episódio, publicado em 23 de fevereiro, tem as representações do ministro Alexandre de Moraes e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Histórico do Inquérito das Fake News do STF
O inquérito das fake news foi aberto pelo STF em 14 de março de 2019 sob o nº 4.781. A investigação, que continua aberta e sob sigilo, foi criada por decisão do então presidente do Supremo, Dias Toffoli, sem provocação do Ministério Público, e nomeou o ministro Alexandre de Moraes como relator, sem seguir as regras de distribuição por sorteio ou prevenção (artigo 66 do Regimento Interno do STF). O objetivo genérico era apurar "notícias fraudulentas (fake news), denunciações caluniosas, ameaças e infrações... que atingem a honorabilidade e a segurança do Supremo Tribunal Federal, de seus membros e familiares".
A então procuradora-geral da República, Raquel Dodge, manifestou-se em julho de 2019 a favor da suspensão do inquérito, argumentando que a forma como foi instaurado violava o sistema constitucional acusatório e os princípios da separação de Poderes e do juiz natural. Contudo, em junho de 2020, o próprio STF decidiu pela legalidade da investigação por 10 votos a 1, com apenas o então ministro Marco Aurélio Mello divergindo.