Judiciário

Zema ataca STF de 'intocáveis' e promete acabar com a 'farra' após revés da CPMI do INSS

O pré-candidato à Presidência, Romeu Zema (Novo), chamou de 'escândalo' a decisão do STF que derrubou a liminar do ministro André Mendonça para prorrogar a CPMI do INSS. Referindo-se aos ministros como 'os intocáveis', Zema prometeu 'acabar com a farra' da Corte, enquanto a comissão, que investiga fraudes e vazamentos de dados, como do fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, encerra suas atividades em 28 de março.

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Zema ataca STF de 'intocáveis' e promete acabar com a 'farra' após revés da CPMI do INSS
Foto: Reprodução / Leia Política

BRASÍLIA, DF - O pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo), classificou como “escândalo” a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) desta quinta-feira (26.mar.2026) que derrubou a liminar do ministro André Mendonça. A liminar buscava prorrogar a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS.

Zema, que se referiu aos ministros como “os intocáveis”, questionou até quando o Judiciário trabalhará contra o Brasil e prometeu “acabar com a farra” dos integrantes da mais alta Corte. A declaração foi feita após o STF barrar a decisão de Mendonça, relator das investigações de fraudes do INSS no Supremo.

Revés na CPMI do INSS

A maioria dos ministros do STF entendeu que a prerrogativa para estender os trabalhos da CPMI é exclusiva do presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Esta posição representou uma derrota para Mendonça, que, em 23 de março, havia acolhido um pedido da presidência da CPMI e dado 48 horas para Alcolumbre analisar o requerimento de prorrogação. O ministro interpretou que Alcolumbre teria se omitido ao não analisar o pedido dos congressistas de oposição.

Conforme o regimento interno do STF, mandados de segurança contra atos do presidente do Congresso Nacional devem ser analisados pelo plenário. A CPMI do INSS, que investiga fraudes em empréstimos consignados de aposentados e pensionistas, encerrará suas atividades em 28 de março.

Investigações e Controvérsias

A comissão focou nas relações do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, com associações que realizavam descontos irregulares e com membros da cúpula da Previdência Social. Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, também foi alvo de pedidos de quebra de sigilo fiscal, na tentativa de congressistas de oposição de buscar indícios de sua relação com o Careca do INSS.

O presidente da CPMI, Carlos Viana, afirmou que a decisão do ministro Flávio Dino, que suspendeu a quebra de sigilo de Lulinha, impediu a análise dos dados a tempo. Dino justificou que, embora CPIs e CPMIs possam determinar quebras de sigilo, devem atuar como juízes, exigindo fundamentação técnica e votação caso a caso.

Caso Daniel Vorcaro e Vazamento de Dados

Nos bastidores, a não prorrogação da CPMI foi vista por uma posição minoritária como um possível revés para a imagem pública do Supremo, já criticado por uma suposta proximidade de ministros com o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro. A comissão chegou a requisitar, em 19 de março, que o STF informasse os usuários dos últimos 5 anos de um número de celular identificado como destinatário de mensagens do ex-banqueiro. O Poder360 apurou que este celular foi usado pelo ministro Alexandre de Moraes por anos.

A Presidência do STF, em resposta, questionou a finalidade do pedido da CPMI. A Polícia Federal (PF) entregou à comissão 1,08 GB de informações da perícia em celulares de Vorcaro, dos quais 221 arquivos (329,3 MB) foram vazados, incluindo imagens, e-mails e contatos.

Em 6 de março, Mendonça determinou a abertura de inquérito para investigar o vazamento das informações do celular de Vorcaro, ressaltando que a quebra de sigilo não autoriza a divulgação pública dos dados. Posteriormente, em 16 de março, o ministro determinou que a PF excluísse dados privados de Vorcaro das informações encaminhadas à CPMI. O presidente da CPMI, Carlos Viana, declarou que a decisão foi recebida com “maturidade institucional” e respeito.

A PF garantiu que nenhum relatório sobre investigações relacionadas ao Banco Master continha dados da vida privada dos investigados. Já o ministro Dias Toffoli, relator do caso no Supremo até 12 de fevereiro, afirmou não ter tido acesso às informações do celular de Vorcaro, declarando que “nada foi encaminhado ao STF” após autorizar a análise dos aparelhos.

Escrito por Redação Leia Política