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Agente de IA OpenClaw Conquista China e Vira Pilar do Novo Plano Quinquenal

A OpenClaw, um agente de inteligência artificial autônomo lançado em novembro de 2025, tornou-se um fenômeno na China, popularizando o conceito de “empresa de uma só pessoa” (OPC). Sua capacidade de automatizar tarefas complexas no computador e na internet capturou a atenção do governo chinês, que integrou a promoção de agentes de IA e OPCs no novo Plano Quinquenal Nacional (2026-2030), cujas discussões foram encerradas hoje. Gigantes da tecnologia chinesa já desenvolvem suas próprias versões, enquanto a tecnologia desponta como um capítulo crucial na corrida tecnológica global.

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Agente de IA OpenClaw Conquista China e Vira Pilar do Novo Plano Quinquenal
Foto: Divulgação / Leia Tech
PEQUIM, CHINA -

A China celebra hoje, 12 de março de 2026, o encerramento das “Duas Sessões”, o congresso anual que define as diretrizes do país. No epicentro dos debates e das ambições para o novo Plano Quinquenal Nacional (PQN) 2026-2030, emerge uma ferramenta de inteligência artificial que já revolucionou a forma como os chineses encaram a produtividade e o empreendedorismo: a OpenClaw. Lançada em novembro de 2025, esta agente de IA autônoma não apenas capturou a atenção popular, mas se tornou um verdadeiro fenômeno, popularizando o conceito de “empresa de uma só pessoa” (OPC, na sigla em inglês).

A Nova Geração de Agentes de IA

Diferente de assistentes conversacionais como ChatGPT ou Deepseek, a OpenClaw opera como um verdadeiro braço direito digital. Sua capacidade de executar tarefas reais diretamente no computador e na internet é o que a distingue: produzir relatórios, gerenciar e-mails, selecionar conteúdo em redes sociais, instalar softwares e até mesmo escrever códigos para automatizar processos. A complexidade do treinamento e configuração desta IA deu origem ao termo “criar lagostas”, uma alusão ao símbolo de lagosta vermelha da ferramenta.

O fascínio pela OpenClaw é palpável. O desejo de ter uma IA capaz de realizar múltiplas tarefas transformou-se em uma obsessão nacional, contagiando até mesmo as maiores empresas de tecnologia chinesas. A Tencent lançou o QClaw, a Minimax apresentou o MaxClaw, a Moonshot AI criou o KimiClaw e a Alibaba desenvolveu o CoPaw, cada uma buscando sua fatia neste novo mercado.

Da Fila em Shenzhen ao Palácio Legislativo

A demanda pela tecnologia é tão grande que, na semana passada, cerca de 1.000 pessoas formaram filas em frente à sede da Tencent em Shenzhen, ansiosas para instalar a OpenClaw. Este entusiasmo popular reflete a visão do governo. Durante as Duas Sessões, a agência de notícias estatal Xinhua deu destaque à ferramenta, com deputados citados o software como “muito interessante” para startups. Cidades por toda a China já estão implementando políticas para criar polos industriais dedicados a agentes de IA similares à OpenClaw.

OpenClaw no Coração do Plano Quinquenal

O novo PQN, que guiará a economia chinesa até 2030, coloca a integração de modelos de IA como uma prioridade absoluta. O documento visa construir um ecossistema robusto de OPCs, onde a capacidade da OpenClaw de aumentar drasticamente a produtividade individual é vista como um “verdadeiro sonho” pelo alto escalão chinês. A tecnologia da OpenClaw abre um leque sem precedentes de possibilidades para as ferramentas de inteligência artificial, com o governo já desenhando incentivos para o surgimento massivo de OPCs.

Corrida Tecnológica e Riscos

A ascensão da OpenClaw também marca um capítulo decisivo na corrida tecnológica global, hoje liderada por Estados Unidos e China. O criador da ferramenta, o programador austríaco Peter Steinberger, foi contratado pela gigante norte-americana OpenAI em fevereiro deste ano, ressaltando o valor estratégico da inovação. No entanto, o avanço traz consigo desafios. A OpenClaw, apesar de promissora, exige treinamento preciso para evitar interpretações equivocadas que possam levar ao apagamento de arquivos, acesso indevido a documentos privados ou alterações de configurações sem consentimento, alertam especialistas.

Escrito por Redação Leia Tech