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Dark Souls III: Uma Década de Impacto e a Evolução Contínua do Gênero Soulslike

Em seu décimo aniversário, Dark Souls III é revisitado como um marco na indústria de games, que não apenas encerrou uma das franquias mais icônicas da FromSoftware, mas também moldou e solidificou o subgênero "soulslike", influenciando inúmeros títulos e definindo um novo padrão de desafio e exploração.

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Dark Souls III: Uma Década de Impacto e a Evolução Contínua do Gênero Soulslike
Foto: Divulgação / Leia Tech

SÃO PAULO, SP - Em 24 de março de 2026, comemora-se uma década desde o lançamento de Dark Souls III no Japão. O game, que concluiu uma das franquias mais emblemáticas da indústria, foi fundamental para solidificar e definir ainda mais o subgênero "soulslike", pavimentando o caminho para o sucesso de diversos títulos que se seguiram, inclusive da própria FromSoftware.

Dark Souls III aprofundou o conceito de risco elevado, exploração densa e punição rigorosa aos erros do jogador, incentivando uma curva de aprendizado para superar desafios. Uma década depois, o mercado está repleto de jogos soulslike, e a FromSoftware já demonstra novas abordagens ao gênero.

A Origem do Gênero: De Demon's Souls a Dark Souls

Sete anos antes de Dark Souls III, em 2009, Demon's Souls iniciou essa jornada como um exclusivo de PlayStation 3. Desenvolvido a partir de um projeto que não progrediu e atendendo a uma demanda da Sony, o game revolucionou com seu ritmo distinto, dificuldade e caráter punitivo. Diferente dos títulos posteriores da série, ele apresentava apenas um checkpoint por mapa, exigindo que o jogador refizesse longos caminhos após cada morte, um conceito conhecido como "runback".

Dois anos depois, em 2011, o mundo conheceu Dark Souls, sucessor espiritual de Demon's Souls e o primeiro de uma trilogia que se desenvolveria em cinco anos. Com uma jogabilidade mais pesada que elevava a dificuldade, ele expandiu a essência de seu antecessor, notadamente no seu design de níveis. O primeiro Dark Souls é até hoje aclamado como um pioneiro em mapas conectados em 3D, uma característica antes exclusiva de metroidvanias 2D. Esse mundo interligado, que une diferentes regiões e recompensa a exploração, ainda impressiona.

Enquanto Demon's Souls se destacava pela punição, o primeiro Dark Souls trouxe chefes consideravelmente mais difíceis, como Ornstein e Smough, Four Kings e Nito, além dos temíveis Artorias, Kalameet, Sanctuary Guardian e Manus na sua DLC.

A Essência dos Soulslikes: Características Chave

A dificuldade intrínseca de Dark Souls não reside em ser injusto, mas em punir a pressa e a desatenção. Jogadores habituados a diferentes gêneros que desenvolvem paciência e observação de padrões têm suas chances de sucesso aumentadas. A série se define por diversos aspectos:

  • Perder a moeda necessária para evoluir após a morte, presente em toda a franquia e em jogos como Bloodborne e Elden Ring.
  • Checkpoints que servem como refúgios estratégicos.
  • Narrativa ambiental e através da descrição de itens, em vez de cutscenes cinematográficas.
  • Chefes desafiadores que exigem múltiplas tentativas para que seus padrões sejam compreendidos.
  • Exploração que recompensa generosamente os que se arriscam.

Um jogo é amplamente considerado um soulslike quando agrega essas características, somadas ao gerenciamento de estamina, progressão e o desbloqueio de atalhos pela exploração. Ao longo de cerca de uma década, diversos títulos surgiram, alguns claramente inspirados na FromSoftware e outros que aderem plenamente à definição do gênero.

Entre os inspirados, que pegam emprestado aspectos como combate e chefes desafiadores, mas divergem em tom e narrativa, estão Another Crab's Treasure, a franquia Nioh e Flintlock: The Siege of Dawn. Já títulos como Lies of P, Lords of the Fallen, The First Berserker: Khazan, The Surge e Mortal Shell preenchem a maioria das características que definem um soulslike, embora a discussão sobre a classificação seja sempre acalorada entre a comunidade.

O Salto Necessário: Dark Souls III e Seu Legado

Dark Souls III representou um salto importante e necessário para a franquia. Seu antecessor, Dark Souls II, divide opiniões, com muitos o considerando o menos "Dark Souls" da série devido às suas mudanças – algumas delas, curiosamente, mais tarde empregadas em Elden Ring, como o "power stance". À época do desenvolvimento de Dark Souls II, Hidetaka Miyazaki estava focado em Bloodborne, o que levou a um rumo distinto para o segundo jogo da série principal.

Por isso, Dark Souls III resgatou grande parte da essência do primeiro jogo, especialmente as referências que dão continuidade à narrativa. Ele trouxe algumas das melhores trilhas sonoras e chefes mais emblemáticos, além de um mundo que se conectava de forma mais coesa e fazia sentido novamente, algo que muitos sentiram falta em Dark Souls II. O jogo também introduziu velocidade e fluidez à franquia, características que Bloodborne havia entregue um ano antes no PS4, já que ambos foram desenvolvidos em paralelo. Esse aprendizado foi crucial e levado adiante para Elden Ring, o maior sucesso da FromSoftware até então.

Comunidade Fiel e Desafio Que Atrai

A percepção de que Dark Souls é difícil é verdadeira, mas também é amplamente aceito que, ao "pegar o jeito", a dificuldade se torna um convite à maestria. Muitos jogadores, mesmo sem experiência prévia no gênero, conseguem não só terminar, mas dominar os jogos, acumulando centenas de horas e até alcançando 100% de conclusão.

Existe uma comunidade devota à franquia, com discussões ativas em fóruns e grupos. Modders estão constantemente criando novos conteúdos, desde simples alterações até transformações completas do jogo, como visto em Daughters of Ash (para DS1) e Archthrones (para DS3), ainda em desenvolvimento. A competição entre speedrunners é acirrada, com jogadores buscando finalizar os jogos no menor tempo possível, explorando falhas ou jogando normalmente. Uma categoria extrema, a "God Run", envolve terminar Demon's Souls, os três Dark Souls, Bloodborne, Sekiro e Elden Ring sem sofrer um único dano.

De um mero subgênero de RPG de ação, o soulslike se tornou um gênero com suas próprias regras e características únicas, amplamente reconhecido pelos gamers. É um estilo de jogo que, mesmo para quem leva mais tempo para concluir, gera uma satisfação e um desejo de continuar jogando ao final, uma sensação testemunhada em inúmeros youtubers e streamers.

Esses jogos solidificaram a FromSoftware entre os estúdios mais respeitados da atualidade, com uma sequência de sucessos. Hidetaka Miyazaki é, por sua vez, reconhecido como um dos gênios da indústria, por conceber mundos complexos, sombrios e, ao mesmo tempo, incrivelmente atraentes, que cativam milhões de jogadores por anos.

Escrito por Redação Leia Tech