Pesquisadores australianos criam método para tornar dados invisíveis a hackers
Cientistas das Universidades Monash e de Nova Gales do Sul, na Austrália, desenvolveram um método inovador que torna a transmissão de dados invisível a hackers, utilizando luminescência negativa em vez de criptografia. Embora promissor para comunicações de alta segurança, a tecnologia enfrenta desafios relacionados à velocidade e à escalabilidade, com pesquisadores sugerindo o uso de grafeno para otimização.

A transmissão e o gerenciamento de dados representam a principal preocupação para profissionais de cibersegurança e Segurança da Informação. Em um mundo cada vez mais dependente de conexões seguras para garantir a confiabilidade do fluxo e armazenamento de informações, empresas investem pesadamente em defesas robustas, que, por vezes, podem ser superadas em apenas cinco minutos através de engenharia social, como demonstrou Kevin Mitnick.
Inovação: dados invisíveis em vez de criptografados
Contudo, pesquisadores australianos propuseram um novo e engenhoso método que promete mascarar a transmissão de dados de forma que hackers não consigam sequer identificar onde procurar. O estudo, conduzido por cientistas das Universidades Monash e de Nova Gales do Sul em Sydney, descreve uma abordagem que torna a informação “invisível” para qualquer um que não seja o transmissor e o receptor. Em vez de utilizar criptografia, o método se vale de um processo que torna o fluxo de dados em si indetectável, eliminando a capacidade de invasores identificarem as pontas da comunicação.
A física por trás da invisibilidade de dados
O segredo reside em um fenômeno físico conhecido como luminescência negativa. Enquanto dispositivos eletrônicos normalmente emitem radiação térmica superior à do ambiente quando uma corrente elétrica passa por eles, gerando calor, a luminescência negativa inverte esse processo. Certos elementos, sob infravermelho, demonstram uma diminuição na radiação térmica em relação ao ambiente, conferindo a impressão de estarem “mais frios”. Esse fenômeno, estudado desde sua observação inicial na Rússia nos anos 1960, agora é proposto pelos pesquisadores para transmitir dados. O fluxo se mistura ao ruído térmico do ambiente, tornando-se virtualmente invisível e detectável apenas por componentes especializados.
A pesquisa utilizou diodos termorradioativos, capazes de alternar rapidamente entre modos de luminescência ambiente e negativa indetectável. Emissores criam padrões que só podem ser interpretados por receptores correspondentes. Sem que terceiros saibam que uma troca de informações está ocorrendo, ou como e onde procurá-la, todo o processo se torna invisível e à prova de interceptação.
Desafios e o futuro da transmissão sigilosa
Embora a proposta seja altamente promissora, há desafios significativos para sua adoção imediata. A velocidade de transmissão atual é limitada; os pesquisadores alcançaram 100 kB/s, o que equivale a um plano de banda larga de no máximo 1 Mb/s – um ritmo consideravelmente lento para as demandas modernas, embora superior às conexões discadas. Para aumentar a performance, os pesquisadores da Universidade Monash sugerem a utilização de grafeno, o “material mágico” que promete revolucionar diversas áreas, mas cuja produção em quantidades industriais permanece um obstáculo.
A pesquisa é de grande valor por propor um método inovador para garantir a confiabilidade da transmissão de dados, imune a hackers. No entanto, sua escalabilidade ainda é limitada. É possível que o desenvolvimento leve tempo, ou que a luminescência negativa se estabeleça como um protocolo especializado e restrito, voltado para comunicações de alto nível que exigem máxima segurança, como as que envolvem a Segurança Nacional de países.