Samsung Descontinua Galaxy Z TriFold Após Três Meses, Impactada por Custos de IA
A Samsung encerra a produção do seu ambicioso smartphone dobrável, o Galaxy Z TriFold, apenas três meses após o lançamento. O alto custo de fabricação, impulsionado pela escassez de componentes devido à demanda de Inteligência Artificial, e a complexidade do design são apontados como os principais motivos para o fim precoce do aparelho de US$ 2,9 mil, que serviu como vitrine tecnológica da empresa.

SÃO PAULO, SP - A Samsung está encerrando a produção do seu inovador celular dobrável, o Galaxy Z TriFold, apenas três meses após seu lançamento. O dispositivo, que se assemelha mais a um tablet com duas dobradiças e uma tela flexível de 10 polegadas, custava US$ 2,9 mil e foi rapidamente esgotado nas prateleiras, apesar de sua natureza exclusiva.
Produção Limitada e Foco em Tecnologia
Embora tenha "evaporado" das lojas, especialmente nos mercados seletos onde foi lançado como Estados Unidos, China e Emirados Árabes, o Galaxy Z TriFold nunca teve como objetivo uma produção em massa. Segundo informações apuradas pela Bloomberg, a Samsung o concebeu como uma "vitrine de tecnologias", produzindo apenas cerca de 300 mil unidades globalmente, com apenas 3 mil destinadas a cada um dos mercados internacionais.
O aparelho era uma versão aprimorada do Galaxy Z Fold 7, compartilhando o mesmo chip Snapdragon 8 Elite, mas com 16 GB de RAM (contra 12 GB) e uma bateria ligeiramente maior de 5.600 mAh. Suas especificações robustas e design complexo, no entanto, contribuíram para os desafios que levaram à sua descontinuação.
Desafios de Produção e o Impacto da IA
Dois fatores principais são apontados para o fim precoce do TriFold. Primeiramente, a complexidade inerente à construção de um dispositivo com duas dobradiças, que exige uma performance comparável à do Galaxy Z Fold 7. Em segundo lugar, e talvez mais crucial no cenário tecnológico atual, os custos de produção dispararam. A "explosão das soluções generativas de Inteligência Artificial (IA)" concentrou a produção de componentes essenciais como memórias DRAM e NAND nas mãos de poucas gigantes do setor, tornando o acesso a esses itens extremamente difícil e caro para outras empresas, incluindo a própria Samsung para projetos de nicho.
A escassez e o alto custo desses componentes, vitais para dispositivos de alto desempenho, provavelmente tornaram a margem de lucro do Galaxy Z TriFold insignificante ou inexistente, mesmo com seu preço elevado e volume de vendas limitado. A Samsung classificou o aparelho como um produto temporário, um experimento que, por ora, não se sustenta financeiramente.
O Futuro dos Dobráveis e a Concorrência
Enquanto a Samsung recua com o TriFold, o mercado de celulares dobráveis continua em efervescência. Empresas chinesas como Huawei, Honor e Oppo seguem inovando. O Huawei Mate XT, por exemplo, oferece um design de duas dobras que dispensa uma tela secundária, embora as sanções dos Estados Unidos o privem de 5G e Google Services, limitando seu apelo em mercados ocidentais.
A competição deve se intensificar em 2026 com os rumores de um "iPhone Fold". A expectativa é que a Apple se destaque com um display dobrável sem vinco aparente, tecnologia que, ironicamente, estaria sendo desenvolvida pela própria Samsung. A resolução da escassez de componentes e a estabilização de seus preços podem, no futuro, abrir caminho para um retorno do conceito TriFold, mas no momento, o projeto está suspenso.