politica

Alerta Nacional: Anvisa intensifica fiscalização de canetas emagrecedoras irregulares

A Anvisa anunciou medidas rigorosas para combater irregularidades em canetas emagrecedoras, como semaglutida e tirzepatida. A agência intensificará fiscalizações, revisará normas e poderá suspender estabelecimentos, após identificar falhas graves na produção, importação de insumos e um caso de síndrome de Guillain-Barré ligado a produto sem registro.

Compartilhe
Ouvir ResumoAperte o Play
Alerta Nacional: Anvisa intensifica fiscalização de canetas emagrecedoras irregulares
Foto: Reprodução / Leia Brasil
BRASÍLIA, DF -

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou nesta segunda-feira (06.abr.2026) novas e rigorosas medidas para intensificar a fiscalização de canetas emagrecedoras, especialmente os agonistas de GLP-1 como semaglutida, tirzepatida e liraglutida. A decisão é uma resposta direta à identificação de um volume alarmante de irregularidades na importação de insumos e na produção desses medicamentos por farmácias de manipulação.

Novas Regras e Ações de Fiscalização

Entre as ações anunciadas pela Anvisa, destacam-se a revisão das normas atuais, o aumento significativo das inspeções em estabelecimentos e a possibilidade de suspensão imediata para empresas que apresentem risco sanitário. A agência também promete um controle mais rígido sobre as importadoras de insumos e a ampliação da cooperação internacional para rastrear a cadeia produtiva. Um grupo de trabalho, composto por entidades médicas e representantes do setor, será criado para analisar e propor soluções sobre o assunto.

Desde junho de 2025, a venda desses medicamentos já exige receita médica em duas vias, com retenção de uma pela farmácia e validade máxima de 90 dias, visando um controle mais rigoroso do uso.

Falhas Alarmantes na Cadeia Produtiva

As fiscalizações realizadas pela Anvisa revelaram uma série de falhas graves na cadeia produtiva. Problemas como a ausência de esterilização adequada, falta de controle de qualidade e o uso de insumos sem origem comprovada foram identificados. Além disso, a agência detectou uma grande discrepância entre o volume de insumos importados e a real demanda do mercado. Paralelamente, houve um aumento nas notificações de efeitos adversos, muitas vezes sem a identificação clara da origem dos produtos, e o uso fora das indicações de bula é considerado um fator de risco adicional.

Em 2025, foram importados cerca de 130 quilos de insumos, o que seria suficiente para até 25 milhões de doses. Apenas de tirzepatida, mais de 100 quilos foram solicitados entre novembro de 2025 e abril de 2026. Em março de 2026, 14 pedidos de importação foram negados devido a falhas de qualidade.

Interdições e Alerta Máximo

O ano de 2026 já registrou 11 inspeções que culminaram na interdição de seis estabelecimentos, incluindo farmácias de manipulação e uma importadora. Mais de 1,3 milhão de unidades de produtos estéreis irregulares foram apreendidas. Em janeiro de 2026, a Anvisa já havia proibido a venda de canetas emagrecedoras irregulares à base de tirzepatida e retatrutida, comercializadas sem registro, principalmente em redes sociais, por fabricantes desconhecidos.

Um caso que reforça a urgência da situação é o de uma paciente de 42 anos que desenvolveu síndrome de Guillain-Barré. O caso está sendo investigado para determinar se foi causado por um desses produtos sem prescrição médica. A paciente permanece internada com severas limitações de movimento.

A Anvisa reitera que produtos sem registro não oferecem nenhuma garantia de segurança, eficácia ou qualidade e seu uso é desaconselhado em qualquer circunstância. A comercialização desses itens em tais condições configura crime.

Perspectivas do Mercado

Atualmente, existem oito pedidos em análise para medicamentos com semaglutida, e outros nove aguardam avaliação. A patente da semaglutida no Brasil expirou em março de 2026, o que pode levar a um aumento da oferta no mercado, tornando a fiscalização da Anvisa ainda mais crucial para garantir a segurança dos consumidores.

Escrito por Redação Leia Brasil