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Campo de Batalha na Ucrânia: Robôs superam humanos, diz fabricante de armas

Fabricante de armamentos anglo-ucraniana prevê que robôs superarão soldados humanos na Ucrânia. O presidente Zelensky já reportou operações bem-sucedidas apenas com robôs. O avanço da IA militar acelera o desenvolvimento, levantando debates éticos sobre sistemas autônomos, enquanto o Pentágono busca integrar a tecnologia apesar das preocupações.

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Campo de Batalha na Ucrânia: Robôs superam humanos, diz fabricante de armas
Foto: Reprodução / Leia Brasil

LONDRES, REINO UNIDO - Robôs estão a caminho de superar o número de soldados humanos no campo de batalha na Ucrânia. Essa é a previsão de uma fabricante de armamentos de origem britânica e ucraniana, a UFORCE, em entrevista à BBC.

Operações Pioneiras com Robôs na Ucrânia

A previsão surge após o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmar em abril que o país havia retomado territórios ocupados pelas forças russas em uma operação inédita, realizada exclusivamente com robôs e drones. Zelensky detalhou que uma posição inimiga foi tomada "exclusivamente por plataformas não tripuladas: robôs terrestres e drones". As Forças Armadas ucranianas não divulgaram detalhes da operação, mas a declaração ocorreu após outro relato de fevereiro, onde um único robô terrestre teria contido um avanço russo por 45 dias.

Ambos os lados do conflito têm feito uso extensivo de sistemas aéreos e terrestres não tripulados, um movimento que, segundo analistas, tem impulsionado significativamente o desenvolvimento de novas tecnologias militares.

UFORCE: Unicórnio da Defesa e o Futuro dos Conflitos

Parte dos armamentos utilizados é atribuída à UFORCE, uma startup militar fundada por ucranianos e britânicos, que rapidamente alcançou o status de "unicórnio", avaliada em mais de US$ 1 bilhão. A sede da UFORCE em Londres, Reino Unido, opera discretamente para mitigar riscos de sabotagem. Rhiannon Padley, diretora de parcerias estratégicas da UFORCE, confirmou que drones aéreos, terrestres e marítimos da empresa já estão em uso, com mais de 150 mil missões de combate bem-sucedidas desde a invasão russa em larga escala em 2022. Ela projeta que confrontos entre robôs serão cada vez mais comuns, podendo os sistemas não tripulados exceder o número de soldados humanos em campo.

A Rússia também emprega robôs para transportar explosivos. Especialistas como Melanie Sisson, da Brookings Institution, veem a Ucrânia como uma referência para o futuro da defesa nacional e da indústria armamentista, exemplificando como a necessidade impulsiona a inovação.

Ascensão das "Neo-Prime" e a IA Militar

A UFORCE integra o grupo das empresas de defesa "Neo-Prime", que desafiam gigantes tradicionais. Outra notável é a Anduril, dos EUA, que realizou em fevereiro o primeiro voo de teste de um caça sem piloto. Embora a maioria dos drones ainda seja operada remotamente, a inteligência artificial (IA) é cada vez mais incorporada. Drones terrestres da UFORCE usam softwares para auxiliar na definição de alvos, e a Anduril alega que alguns de seus sistemas executam autonomamente a fase final de um ataque.

O governo dos EUA, através do secretário de Defesa Pete Hegseth, defende publicamente a aceleração da IA nas Forças Armadas, buscando tornar o país "uma força militar que tenha a IA como prioridade". A China também expande o uso de IA militar, conforme avaliação do Pentágono.

Dilemas Éticos e o Embate com o Pentágono

Analistas, como Jacob Parakilas da RAND Europe, consideram "extremamente provável — talvez inevitável" um cenário de robôs combatendo diretamente outros robôs. Contudo, grupos de direitos humanos, como a Anistia Internacional, alertam sobre os riscos éticos e de direitos humanos de delegar decisões de vida ou morte a máquinas. Patrick Wilcken, da Anistia, ressalta que a aceleração da identificação de alvos com IA deve ser ponderada contra os riscos profundos que a autonomia traz.

Fabricantes argumentam pela manutenção de "um humano no comando", insistindo que a decisão de usar força permanece com os militares. Rich Drake, da Anduril Industries, destaca que sistemas computacionais reduzem erros na cadeia de ataque, ao contrário dos humanos que necessitam de descanso.

Em um caso emblemático de 2026, a Anthropic, empresa de IA do Vale do Silício, firmou um contrato de US$ 200 milhões com o Pentágono em julho de 2025. O CEO Dario Amodei justificou o apoio às forças americanas pela necessidade de "igualar e superar militarmente" ameaças autocráticas, mas impôs "linhas vermelhas": o Claude (modelo de IA) não poderia ser usado para vigilância doméstica em massa ou armas totalmente autônomas. Amodei também afirmou que os sistemas de IA de ponta "simplesmente não são confiáveis ​​o suficiente para alimentar armas totalmente autônomas".

Essas restrições levaram a um embate, com o Pentágono exigindo acesso irrestrito. Amodei recusou, citando razões de consciência, e a Anthropic perdeu os contratos. Horas depois, a concorrente OpenAI (do ChatGPT) fechou um acordo com o Pentágono.

Escrito por Redação Leia Brasil