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Crise Global: Piketty Alerta para Piora da Desigualdade e 'Visão Trumpista' Ineficaz

O economista Thomas Piketty reitera que a desigualdade global piorou nos últimos cinco anos, descrevendo o cenário como 'repleto de distopias' e criticando uma 'visão trumpista' do futuro. Ele apresenta propostas audaciosas no Relatório de Justiça Global, incluindo um imposto global sobre bilionários e uma moeda única gerenciada pela ONU, destacando o papel crucial do Brasil no debate sobre a tributação de super-ricos.

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Crise Global: Piketty Alerta para Piora da Desigualdade e 'Visão Trumpista' Ineficaz
Foto: Reprodução / Leia Brasil

PARIS, FRANÇA - Cinco anos após sua controversa análise de que o mundo se assemelhava às condições que precederam a Revolução Francesa, o economista francês Thomas Piketty, 55 anos, reitera um alerta ainda mais sombrio: a situação da desigualdade global "piorou" significativamente. Para Piketty, vivemos um período "repleto de distopias", onde "tecnobilionários e tecnonacionalistas estão elaborando visões malucas sobre o futuro", destacando a ineficácia de uma "visão trumpista" para resolver os desafios globais.

O economista, conhecido por seu best-seller "O capital no século XXI", retornou ao debate global em junho de 2026 com o audacioso Relatório de Justiça Global. Fruto de um esforço de cerca de 50 especialistas do World Inequality Lab, da Paris School of Economics, o estudo se debruçou sobre dados sociais e econômicos para propor um caminho para um futuro mais equitativo.

Relatório de Justiça Global: Novas Propostas Audaciosas

Entre as sugestões apresentadas pelo relatório, destacam-se a criação de uma moeda única internacional, gerida pela Organização das Nações Unidas (ONU), para substituir o dólar. Além disso, propõe políticas globais que visam nivelar a renda per capita global em 5 mil euros (cerca de R$ 29 mil) até o ano de 2100, acompanhada por uma redução drástica nas horas de trabalho médias internacionais, caindo para menos da metade. O estudo sugere também um deslocamento de funções da produção de alimentos para os setores de educação e saúde.

Ainda mais audaciosa é a proposta de um imposto global sobre a riqueza, com foco especial nas fortunas dos bilionários, ideia historicamente associada às pesquisas de Piketty.

O Papel Central do Brasil na Luta por Justiça Tributária

Para Thomas Piketty, o Brasil exerce um papel crucial nessas discussões. Em 2024, durante a reunião do G20 no Rio de Janeiro, o país obteve um feito inédito ao incluir a menção à importância de tributar os super-ricos no comunicado final da Cúpula, superando a resistência argentina. A diplomacia brasileira continuou a reforçar o projeto em fóruns subsequentes, como nas negociações para um sistema tributário internacional no âmbito da ONU, com a próxima reunião do grupo agendada para novembro e dezembro no Quênia.

O economista expressa preocupação com a direção política do Brasil. "Será muito triste para o próprio país tanto quanto para o mundo se o Brasil seguir na direção desse nacionalismo trumpista em algumas semanas [nas eleições]", afirma. Ele enfatiza a necessidade de o Brasil contribuir para "reconstruir o sistema monetário, econômico internacional em um sentido mais inclusivo, igualitário, democrático e consciente sobre o clima".

Análise da 'Visão Trumpista' e o Futuro Econômico Global

Piketty aprofunda sua crítica à "visão trumpista" que, segundo ele, não está funcionando e não resolve problemas de desenvolvimento ou meio ambiente. Ele descreve essa abordagem como "tecnonacionalista" e "tecnocapitalista", marcada pela busca por mais combustíveis fósseis e pela instalação de data centers em todo lugar, sem oferecer soluções sustentáveis.

O economista também questiona a sustentabilidade do dólar como moeda internacional, argumentando que a economia dos Estados Unidos está diminuindo em comparação ao tamanho da economia global. Ele aponta que esse sistema sobrevaloriza o dólar e contribui para o enorme déficit comercial norte-americano, gerando consequências geopolíticas. As políticas atuais do Presidente Donald Trump são vistas por Piketty como uma "reação que não está resolvendo esse problema", baseada em uma mensagem de "colocar as armas na mesa, pegar petróleo na Venezuela, no Irã ou na Groelândia e reduzir o déficit interno".

Piketty defende uma mudança estrutural no sistema monetário internacional, propondo uma moeda internacional baseada em uma cesta de moedas de economias multipolares (EUA, China, Índia, Brasil, entre outros). Tal sistema, acredita ele, colaboraria para financiar o desenvolvimento dos países e investimentos climáticos, algo que não é possível com o modelo atual. Ele prevê que essa transformação ocorrerá "mais cedo do que as pessoas imaginam", e que um grupo de países se moverá em breve para taxar os bilionários e criar um novo sistema monetário.

Escrito por Redação Leia Brasil