O que muda agora: Lobista ameaça delação contra Lula e incendeia debate presidencial
Declarações de Roberta Luchsinger à CNN causam forte reação na campanha eleitoral; Flávio Bolsonaro promete levar o caso ao debate da Band, enquanto o Planalto rebate e nega contratos.

BRASÍLIA, DF - Os candidatos à Presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro se manifestaram publicamente após entrevista concedida pela lobista Roberta Luchsinger, na qual ela afirmou que pretende formalizar uma proposta de delação premiada à Polícia Federal. Durante a fala concedida à CNN Brasil, a investigada fez ataques contundentes ao presidente e a Fábio Luís Lula da Silva, mas não apresentou provas documentais de envolvimento de ambos em atos ilícitos.
Repercussão política e o confronto no debate
O presidenciável do PL, Flávio Bolsonaro, realizou uma série de publicações em suas redes sociais compartilhando trechos da entrevista e anunciou que utilizará as declarações da lobista para confrontar Lula no debate da TV Bandeirantes. O senador explorou adjetivos usados por Luchsinger contra o atual presidente e afirmou aos seus seguidores que o eleitorado precisa ter conhecimento das acusações formuladas pela investigada.
Palácio do Planalto nega interlocução e contratos
Em resposta às declarações, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) divulgou nota informando que o presidente Lula desconhece integralmente as alegações de Roberta Luchsinger, reiterando que o mandatário jamais teve diálogo com ela nem acolheu suas demandas. A nota oficial ressalta ainda que não existe nenhum contrato vigente do governo federal com a lobista e expressou estranheza com o momento das falas, caracterizando o episódio como uma tentativa eleitoreira de tumultuar a livre escolha da população no segundo turno.
Apurações da PF e Operação Sem Desconto
Roberta Luchsinger e Fábio Luís Lula da Silva figuram como alvos no inquérito da Operação Sem Desconto, conduzida pela Polícia Federal para apurar irregularidades e fraudes bilionárias em repasses no âmbito do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). As investigações apontam que a lobista recebeu R$ 1,5 milhão de Antônio Carlos Camilo Antunes, quantia classificada por ela como honorários de consultoria. Na entrevista, Luchsinger alegou que Lulinha mantinha contatos semanais com ministros de Estado e garantiu que não poupará integrantes do governo caso firme colaboração premiada com os agentes federais.