O que muda agora: o abismo fiscal de R$ 11 tri à espera do eleito
Com a dívida pública em patamar recorde de R$ 11,1 trilhões, analistas apontam que nem Lula nem Flávio Bolsonaro apresentaram saídas viáveis para as contas públicas.

BRASÍLIA, DF - A disputa pelo Palácio do Planalto entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entra em sua reta final sob o alerta de um iminente colapso nas contas públicas. Qualquer que seja o resultado das urnas no próximo domingo, a economia desponta como o principal obstáculo para a gestão que assume em janeiro, impulsionada por um endividamento recorde e projeções de desaceleração da atividade para 2027.
Dívida histórica e ausência de planos concretos
Dados do Banco Central apontam que a dívida bruta do governo geral atingiu R$ 11,1 trilhões em agosto, o que equivale a 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB), o maior patamar verificado desde a pandemia. Economistas ouvidos apontam que a ausência de diretrizes claras por parte de ambos os postulantes agrava o cenário de desconfiança, dificultando inclusive a redução das taxas de juros por parte da autoridade monetária.
Para Felipe Salto, economista-chefe da Warren Investimentos, o novo chefe do Executivo precisará apresentar medidas já no primeiro momento de mandato. Salto pondera que as promessas de Flávio Bolsonaro de obter equilíbrio fiscal unicamente com o corte de ministérios e combate a desperdícios não encontram respaldo matemático, diante do peso dos gastos obrigatórios na estrutura constitucional.
Promessas de campanha versus realidade fiscal
Nos bastidores, auxiliares de Flávio Bolsonaro sinalizam um plano de ajuste entre 1,5% e 2% do PIB nos primeiros 18 meses, totalizando até R$ 250 bilhões em cortes. Publicamente, contudo, o candidato assegura a manutenção do ganho real do salário mínimo, além de blindar aposentadorias e os pisos constitucionais de Saúde e Educação, postura avaliada por especialistas como contraditória.
Em contrapartida, os compromissos assumidos por Lula ao longo da corrida eleitoral adicionam um impacto de aproximadamente R$ 200 bilhões até 2030, segundo cálculos do mercado financeiro. Ao rechaçar reduções de despesas e condicionar a higidez das contas exclusivamente à expansão da arrecadação, a candidatura petista enfrenta crescente desgaste de credibilidade.
Reação dos mercados no pós-eleição
A economista-chefe do Banco Inter, Rafaela Vitória, pontua que a volatilidade financeira deverá exigir ações impopulares de qualquer um dos vencedores. Enquanto uma eventual eleição de Flávio contaria inicialmente com maior tolerância do setor produtivo devido a precedentes da gestão de Jair Bolsonaro, um novo mandato de Lula poderá ser testado de forma imediata pela pressão cambial e pela curva de juros futuros, exigindo freios fiscais rápidos.