Jornalista alvo da PF por denúncia contra Flávio Dino recusa convites políticos
Alvo de busca e apreensão da Polícia Federal por reportagens contra o ministro Flávio Dino, o jornalista Luís Pablo Conceição Almeida recebeu convites do União Brasil e do PRD para concorrer a deputado, mas recusou. Ele optou por permanecer na profissão, enquanto o caso, iniciado por Dino, tramita no STF sob a relatoria de Alexandre de Moraes, com a PGR favorável à operação.

BRASÍLIA, DF - O jornalista Luís Pablo Conceição Almeida revelou ter recebido convites de dois partidos políticos, o União Brasil e o PRD (Partido Renovação Democrática), para se filiar e concorrer ao cargo de deputado nas eleições de outubro. As propostas surgiram após Luís Pablo ter sido alvo de uma operação da Polícia Federal (PF), deflagrada em 10 de março, por publicar denúncias contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino.
Apesar dos convites, Luís Pablo afirmou sua intenção de continuar dedicando-se à profissão de jornalista, legado de seu pai, que atuou por décadas na imprensa maranhense.
A Investigação da PF e o STF
A ação da Polícia Federal contra Luís Pablo teve origem nas reportagens que ele divulgou sobre o suposto uso irregular de carros oficiais do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA) por familiares do ministro Flávio Dino. Foi o próprio Dino quem acionou a PF após a publicação das matérias.
O caso, inicialmente distribuído ao ministro Cristiano Zanin no Supremo, foi posteriormente encaminhado a Alexandre de Moraes. Zanin justificou a remessa por entender que a denúncia se enquadraria no âmbito do inquérito das fake news, aberto em 2019 para investigar ataques a ministros do STF.
Embora Moraes tenha feito essa relação em seu despacho que autorizou a operação, a assessoria do STF ressalta que o inquérito contra o jornalista Luís Pablo é considerado um processo separado da investigação das fake news.
Posicionamento da PGR e Histórico
A Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou-se favorável à operação contra o jornalista, apontando "fortes elementos" de "obtenção ilícita de informações reservadas" relacionadas ao ministro Dino. Vale ressaltar que Luís Pablo Conceição Almeida já havia sido preso em 2017 por suspeita de extorsão.