PGR denuncia ex-ministro Silvio Almeida ao STF por importunação sexual
A Procuradoria Geral da República (PGR) denunciou o ex-ministro dos Direitos Humanos Silvio Almeida ao Supremo Tribunal Federal (STF) por importunação sexual contra a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco. A denúncia foi apresentada em 4 de março de 2026, após Almeida ter sido indiciado pela Polícia Federal (PF) em novembro de 2025.

A Procuradoria Geral da República (PGR) formalizou uma denúncia junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra Silvio Almeida, que atuou como ministro dos Direitos Humanos no governo Lula, por importunação sexual. A acusação envolve a atual ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco.
Silvio Almeida, que deixou o governo do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 6 de setembro de 2024, foi indiciado pela Polícia Federal (PF) em novembro de 2025. O inquérito da PF investiga possíveis crimes contra diversas mulheres, entre elas, Anielle Franco.
Detalhes da Denúncia e Trâmite no STF
A denúncia foi protocolada pelo Procurador Geral da República, Paulo Gonet, em 4 de março de 2026. O processo tramita sob sigilo no STF e tem como relator o ministro André Mendonça.
Posicionamento da Ministra Anielle Franco
Em outubro de 2024, Anielle Franco se manifestou sobre as acusações, esclarecendo que não participou de denúncias feitas ao grupo “Me Too Brasil” e que foi surpreendida ao ver seu nome associado ao caso. “Não tinha nenhum contato com o Me Too. Me associaram também como sendo uma das denunciantes, mas eu nunca fiz uma denúncia ao Me Too”, declarou a ministra.
Na mesma ocasião, Anielle afirmou ter demorado para acreditar que as ações e falas de Almeida configuravam assédio. “Acho que isso foi o que fez com que, quando fui exposta, eu demorasse a me pronunciar. Era uma decepção para mim também”, disse.
A Defesa de Almeida e a Demissão do Governo Lula
O ex-ministro Silvio Almeida nega veementemente as acusações, classificando-as como “mentiras” e “ilações absurdas”. Ele alegou que o objetivo da denúncia era prejudicá-lo e sugeriu que tanto ele quanto Anielle Franco teriam sido “enredados” e “jogados” em uma “armadilha” de fofocas.
Quando o caso veio a público em 2024, o então presidente Lula avaliou como “insustentável” a permanência de Almeida no governo e o demitiu do cargo. Em vídeo divulgado após as acusações, Almeida disse repudiá-las “com absoluta veemência”.
Em entrevista ao UOL publicada em 24 de fevereiro de 2025, Almeida chegou a afirmar: “A ministra Anielle Franco caiu numa armadilha pela falta de compreensão de como funciona a política. A mesma armadilha que eu caí também. [...] Eu acho que ela se perdeu no personagem. Quando você se torna ministro de Estado a intriga se torna uma arma política.”