4chan Abriga Redes de Deepfakes Íntimos Não Consensuais, Aponta Estudo
Um estudo recente da pesquisadora Leonie Ohmig, publicado pelo Institute for Strategic Dialogue, revela a existência de comunidades no 4chan dedicadas à criação de imagens íntimas não consensuais de mulheres. Essas redes operam com uma hierarquia e um discurso misógino, utilizando a inteligência artificial para gerar deepfakes que podem ser usados para fins eróticos, chantagem ou humilhação, e que frequentemente migram para plataformas externas para maior privacidade. A prática é crime no Brasil, com a Lei Nº 15.125/2025 aumentando as penas para uso de IA em violência psicológica contra mulheres.

A plataforma 4chan possui grupos e comunidades dedicadas à criação de imagens íntimas não consensuais de mulheres. A atividade, que envolve a produção e circulação irrestrita de conteúdo, foi detalhada em um artigo científico da pesquisadora Leonie Ohmig, publicado pelo Institute for Strategic Dialogue (Instituto para Diálogo Estratégico).
Operação e Hierarquia das Redes
A análise de Ohmig abrangeu comunidades do 4chan entre 2025 e 2026, examinando mais de 7 mil posts. A pesquisa identificou um padrão de organização, onde os geradores das imagens, apelidados de “magos”, são tratados com cordialidade e glorificados. O conteúdo dos posts reflete um forte teor misógino, com o objetivo de degradar e humilhar as mulheres alvos dos deepfakes.
O 4chan serve como ponto de partida para essas interações. Perfis fazem pedidos de deepfakes, e outras contas geradoras de imagens entram em contato para combinar detalhes em plataformas externas, buscando maior privacidade e dificultando o rastreamento das atividades.
Usos e Impactos dos Deepfakes
O destino dos deepfakes criados nessas comunidades é variado. A pesquisa indica que algumas imagens podem ser utilizadas para fins eróticos. Em casos mais graves, as criações servem como ferramentas para chantagem, extorsão ou humilhação pública das vítimas.
Leonie Ohmig enfatiza que a criação desses conteúdos não é uma atividade isolada, mas sim uma "prática socialmente organizada, moldada por normas da comunidade, linguagem compartilhada e sistemas de crenças profundamente misóginos".
Legislação Brasileira e Como Agir em Caso de Vítima
No Brasil, a criação e divulgação de deepfakes de teor erótico sem a autorização da pessoa retratada é considerado crime. A Lei Nº 15.125/2025, de abril de 2025, endureceu as penalidades em situações de uso de inteligência artificial para cometer violência psicológica contra mulheres, abrangendo a criação de imagens e vídeos manipulados.
Para vítimas de conteúdo similar, é crucial registrar o máximo de provas possível, incluindo comentários, URLs e capturas de tela, e posteriormente registrar um boletim de ocorrência digital.