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Acer Detalha Processo de Fabricação de Notebooks no Brasil, Envolvendo Manaus e Jundiaí

O gerente de qualidade da Acer do Brasil, Luiz Gustavo Milano Magoga, revelou os detalhes da complexa cadeia produtiva de notebooks no país. O processo, que leva até oito meses, é dividido entre Manaus, responsável pela fabricação de componentes CKD, e Jundiaí, onde ocorre a montagem final. O Brasil se destaca globalmente por sua capacidade, semelhante à da China, com rastreabilidade total e rigoroso controle de qualidade para linhas como Aspire, Nitro e Predator.

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Acer Detalha Processo de Fabricação de Notebooks no Brasil, Envolvendo Manaus e Jundiaí
Foto: Divulgação / Leia Tech

SÃO PAULO, SP - O processo de fabricação de notebooks no Brasil é uma operação complexa e estratégica, envolvendo duas cidades, duas etapas distintas e um período que pode se estender por até oito meses antes que o produto chegue ao consumidor final. Essa dinâmica foi detalhada por Luiz Gustavo Milano Magoga, gerente de qualidade da Acer do Brasil, em entrevista concedida ao Podcast Canaltech neste sábado, 27 de junho.

Duas Cidades, Dois Processos Distintos

A operação é estrategicamente dividida entre a capital amazonense e o interior paulista. Em Manaus, dentro dos limites da Zona Franca, ocorre a fabricação das placas-mãe e de diversos outros componentes eletrônicos. Esta fase é internamente denominada CKD, sigla para Complete Knock Down.

Após uma bateria de testes e aprovação, as peças são então transportadas para Jundiaí, no interior de São Paulo. É nesta localidade que se realiza a montagem final dos equipamentos. Esta etapa crucial envolve a integração de SSDs, memória RAM, teclado, display e cabos, culminando em testes funcionais totalmente automatizados para garantir a qualidade do produto final.

Posicionamento Global e Rastreabilidade Total

Luiz Gustavo Milano Magoga enfatiza que essa capacidade produtiva confere ao Brasil uma posição de destaque no cenário global. "Nem os Estados Unidos mesmo fazem essa parte do CKD, eles importam o produto direto", afirmou Magoga. Ele acrescenta que a linha de produção brasileira "é a mais próxima do que você pode ver num produto sendo fabricado na China", ressaltando a sofisticação e a autonomia do processo nacional.

Antes que qualquer componente seja integrado na linha de montagem de Jundiaí, ele passa por uma rigorosa inspeção de entrada, conhecida como incoming inspection. Esta verificação inclui análises visuais e testes que seguem o padrão NQA 0,65. Qualquer problema detectado em um lote resulta na notificação imediata da fábrica de Manaus para correção.

A totalidade da cadeia produtiva da Acer é rastreável. Cada componente é meticulosamente vinculado ao seu lote de origem, número de embarque e nota fiscal. "Se acontecer algum problema, eu tenho toda a rastreabilidade. Consigo rastrear todas as máquinas que foram produzidas desse componente", explicou o gerente.

Em casos de defeitos após a venda, o cliente aciona o suporte e o equipamento é enviado ao centro de reparos para análise. Se a falha apontar para um possível erro de fabricação, Magoga lidera uma investigação aprofundada que pode envolver diretamente a fábrica, laboratórios externos e os parceiros de desenvolvimento do produto (ODMs), responsáveis pelo design original.

Linhas de Produtos e Tempo de Nacionalização

Atualmente, a linha de montagem de Jundiaí é responsável pela produção de notebooks de diversas séries da Acer, incluindo os modelos Aspire (focados no consumidor de entrada), Nitro (voltados para games intermediários), Predator (para o segmento de games premium) e TravelMate (direcionados ao mercado B2B e governamental). Além disso, a fábrica também produz mini desktops destinados ao setor público.

O tempo médio para que um novo modelo lançado internacionalmente seja adaptado e chegue à produção nacional varia entre seis e oito meses. Este prazo abrange desde a definição estratégica do projeto e a precificação para o mercado brasileiro — que considera a complexa carga tributária de cada componente — até a fabricação e separação do material pelo parceiro no exterior (30 a 60 dias), o transporte (de 8 a 12 semanas) e a qualificação da linha local, com testes progressivos em lotes de 20, 200 e mil unidades antes de o processo atingir sua capacidade normal. Magoga mencionou que "Tem projetos que a gente já fez em 4 meses", mas reiterou que, na média, "mais ou menos 8 meses" é o esperado.

Escrito por Redação Leia Tech