Acionistas da Warner Bros. Discovery Aprovam Venda à Paramount por US$ 111 Bilhões
Acionistas da Warner Bros. Discovery deram sinal verde para a venda da empresa à Paramount por aproximadamente US$ 111 bilhões, incluindo dívidas. A transação, avaliada em US$ 31 por ação, agora segue para análise regulatória nos EUA e Europa, com expectativa de conclusão no terceiro trimestre. A fusão unirá grandes ativos como HBO Max e Paramount+, mas os acionistas rejeitaram o pacote de saída do CEO David Zaslav.

Os acionistas da Warner Bros. Discovery aprovaram nesta quinta-feira (23) a venda da empresa para a Paramount por US$ 31 por ação. O negócio, que, incluindo dívida, totaliza quase US$ 111 bilhões (cerca de R$ 557 bilhões), avança agora para a fase regulatória antes de ser concluído. A aprovação, segundo contagem preliminar, foi por maioria dos acionistas, e a Warner espera fechar a operação no terceiro trimestre deste ano, após obter o aval do Departamento de Justiça (DOJ) dos EUA e dos reguladores europeus de concorrência.
Ativos e Portfólio Unificados
Com o acordo, a Paramount, que é controlada pela Skydance de David Ellison, passará a deter uma vasta gama de ativos da Warner, incluindo o HBO Max, a CNN, as renomadas franquias de "Harry Potter" e "Game of Thrones", e canais como Food Network e Discovery Channel. Esses se somarão ao já robusto portfólio da Paramount, que inclui marcas como CBS, Nickelodeon, Comedy Central e o serviço de streaming Paramount+.
Rejeição ao Pacote de Saída de CEO
Apesar de darem luz verde para a aquisição, os acionistas rejeitaram o pacote de saída do atual CEO da Warner, David Zaslav. O montante proposto para Zaslav incluía indenizações e ações que somam mais de US$ 800 milhões, sendo aproximadamente US$ 500 milhões em ações e um componente fiscal estimado em US$ 335 milhões. A recomendação para rejeitar o pagamento partiu da Institutional Shareholder Services (ISS). Contudo, a votação tem caráter consultivo, indicando que os valores ainda devem ser mantidos.
A Concorrência Pela Aquisição
O caminho para a aprovação não foi simples. No fim de 2025, a Warner havia rejeitado uma proposta anterior da Paramount de US$ 108,4 bilhões que envolvia a Netflix, mas apenas para os estúdios e streaming, excluindo os canais de TV paga. Em janeiro deste ano, o conselho da Warner chegou a recomendar que os acionistas mantivessem o acordo com a Netflix. No entanto, a Paramount foi diretamente aos acionistas com uma oferta hostil que cobria a empresa inteira, incluindo importantes canais como CNN e TNT, o que levou à desistência da Netflix da disputa.
Perspectivas Futuras e Desafios
Executivos das duas empresas afirmam que a fusão trará benefícios para os assinantes, especialmente se os serviços de streaming HBO Max e Paramount+ forem unificados em uma única plataforma. David Ellison, CEO da Paramount, prometeu ainda uma janela de exibição nos cinemas de 45 dias e o lançamento de 30 filmes por ano entre as duas empresas. Por outro lado, o acordo prevê corte de custos, com demissões e redução de operações sobrepostas, conforme já indicado em documentos regulatórios. Críticos alertam para um possível aumento de preços no streaming e uma menor diversidade de conteúdo no mercado. O financiamento da Paramount é assegurado por fundos soberanos, incluindo o Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita e fundos dos Emirados Árabes Unidos e Catar, mas esses investidores não terão direito a voto na empresa resultante da fusão.