Adaptação de Street Fighter Surpreende e Entrega a Melhor Versão da Franquia nos Cinemas
A mais recente adaptação cinematográfica de Street Fighter, que estreia nesta quinta-feira (15), marca o terceiro esforço da Capcom para levar a franquia às telonas. Dirigido por Kitao Sakurai, o filme surpreende ao abraçar a essência 'galhofada' dos games, entregando a melhor representação da saga até hoje. Com atuações destacadas de Noah Centineo, Andrew Koji e Callina Liang, e coreografias fiéis, o longa consegue amarrar o cânone de SF2, explorar a profundidade dos personagens e homenagear a cultura dos anos 90, apesar de um final aberto que indica uma sequência.
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O filme Street Fighter, que estreia nos cinemas nesta quinta-feira (15), representa a terceira incursão da Capcom com a franquia nas telonas, após dois fracassos históricos. Desta vez, o desafio foi entregue ao diretor Kitao Sakurai, conhecido por Twisted Metal, que logo de cara decidiu abraçar a essência divertida e 'galhofada' já presente nos games.
Ambientado em 1993, o longa-metragem buscou prestar homenagem ao sucesso de Street Fighter II, incorporando seus personagens icônicos, temas musicais e celebrando toda uma geração de jogadores que vivia a emoção dos fliperamas. Na prática, este objetivo foi cumprido com louvor.
Seja pela sua abordagem descontraída, seja pelo puro entretenimento, a adaptação cinematográfica consegue entregar a melhor representação que a saga já viu nos cinemas. Talvez não fosse o que o público esperava, mas certamente é o que ele vai querer assistir.
Enredo Fiel e Personagens Profundos
Todo o enredo amarra perfeitamente o cânone que os fãs conhecem de SF2. Após a vitória de Ryu no primeiro torneio de artes marciais, ele se isola da sociedade, deixando seu melhor amigo, Ken Masters, 'sozinho' no mundo. A morte do mestre de ambos, Gouken, é uma cicatriz que carregam e que os separou em definitivo. Contudo, M. Bison planeja organizar a segunda edição do campeonato icônico de Street Fighter para absorver os poderes de Ryu e elevar seu próprio patamar. Na sua cola está Chun-li, uma agente disfarçada da Interpol que deseja vingança pelo assassinato de seu pai.
As atuações de Noah Centineo, Andrew Koji e Callina Liang são um dos grandes destaques. Cada um representa tão bem Ken, Ryu e Chun-li, respectivamente, que vê-los em tela se torna um prazer para o espectador.
Centineo convence muito no papel de um jovem playboy, convicto e que nutre um grande rancor pelas ações de seu maior aliado. Já Koji consegue passar com muita precisão a experiência, peso e o papel de um 'campeão fracassado' que são apresentados dentro da trama.
Callina Liang, por sua vez, surpreende ao mostrar todas as camadas que a lutadora carrega — da sensualidade à jornada por vingança, assim como todo o seu potencial em lutas. A interpretação destes atores sobre personagens que se tornaram figuras icônicas nos videogames é uma força motriz para a trama.
Vale também mencionar que Andrew Schulz brilha bastante como Dan Hibiki, trazendo carisma e uma bela participação, mesmo em um papel que 'não promete nada e não entrega nada', conforme a proposta do personagem.
Lutas, Efeitos e Acertos da Adaptação
Atuações à parte, todos os elementos de Street Fighter funcionam muito bem. As coreografias de luta conseguem trazer movimentos clássicos sem que pareçam esquisitos ou bregas. Os efeitos especiais não desapontam, embora pudesse haver um investimento um pouco maior da Legendary Pictures.
Porém, o grande diferencial está no enredo. A Capcom já tentou trazer a marca aos cinemas duas vezes, e apenas na terceira um acerto veio — justamente quando não se tentou ignorar as inconsistências e o bom humor que ajudaram a estabelecer a saga nos videogames.
Toda a construção ao redor de M. Bison, Akuma e do lado maligno de Ryu, que aqui desempenha um papel importantíssimo, funciona tão bem que prende o espectador na história. As motivações, ações e até o que poderia ser forçado em qualquer obra, aqui possui uma razão compreensível.
O que realmente surpreende é a profundidade que o filme apresenta. Embora seja muito bem-humorado e cheio de momentos descontraídos, isso não impediu o roteiro, os atores e toda a construção de ousar e dar um passo adiante. Ken, famoso e cheio de energia, sente-se solitário sem seu parceiro, e Noah Centineo consegue mostrar a dor por trás da vida de festas. Já o Ryu de Andrew Koji tenta conter sua agressividade, o que é muito bem representado por suas falas e ações 'contidas'.
O M. Bison de David Dastmalchian é um vilão sem tantas nuances, mas sua ambição por poder é apresentada de forma a merecer maior exploração futura. O conflito entre Akuma e Gouken, o treinamento dos heróis e o novo torneio servem de palco para explorar os sentimentos de todos os envolvidos.
Isso não significa que o longa-metragem é focado em drama ou em cavar o passado traumático dos personagens. A construção foi tão boa que deu espaço para tudo: as lutas, os personagens, o humor, as explicações e também para explorar um pouco do que move cada um dos heróis e vilões.
É provável que Street Fighter não seja a produção favorita de muita gente, mas o esforço investido para construir tudo adequadamente merece reconhecimento. Tamanho respeito e consideração por uma franquia foram vistos recentemente apenas com Resident Evil, também da Capcom.
Inclusive, um acerto e tanto foi trazer os flashbacks em formato de animação. Com uma qualidade vista apenas no emblemático desenho dos anos 1990, o carinho foi tanto que seria um imenso desperdício mantê-lo preso apenas aos longas-metragens.
O Final Aberto e o Futuro da Franquia
O saldo final é que a experiência se saiu muito melhor do que o esperado, no geral. No entanto, a 'mão invisível' de Hollywood já deixou claro o investimento em uma sequência: o longa encerra de forma inconclusiva, com diversas pontas soltas que serão desenvolvidas em uma segunda obra. Isso incomoda bastante e prejudica o ritmo do filme, fazendo com que o espectador sinta que assistiu a uma 'Parte 1', diferente do que ocorre no Universo Cinematográfico Marvel (MCU), onde as tramas iniciadas são encerradas, enquanto algo maior é construído ao redor.
Mesmo com o final aberto e o pouco tempo de tela de alguns personagens favoritos, para os fãs da série que cresceram com os games, o filme é obrigatório. É o primeiro que respeita o material original, sem temer abraçar a 'farofada' ou ressignificar ataques e personagens emblemáticos em nome de um enredo mal redigido.
Comparar com Mortal Kombat 2, que estreou neste ano também, chega a ser incabível. Street Fighter, sem dúvidas, leva a melhor e mostra que é possível montar algo que mantenha a fidelidade e ainda assim tenha uma ótima apresentação como mídia adaptada.
Caso o público espere boas coreografias de luta, uma das melhores representações da saga e a presença de personagens e atores carismáticos, encontrará tudo isso no longa-metragem. Ele não é perfeito, mas cumpre com louvores a sua missão de apresentar o universo e a cultura dos anos 1990 para um novo público. Não é possível prever se manterão a qualidade no próximo filme, mas Street Fighter é um excelente primeiro passo que a franquia dá pela 3ª vez, conseguindo entrar no hall de melhores adaptações deste ano.