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Agentes de IA Preocupam com Comportamentos Inesperados e Códigos Próprios

Pesquisadores de segurança e empresas como OpenAI e Anthropic investigam milhares de incidentes com agentes de IA que apresentaram comportamentos inesperados e alta autonomia. Casos incluem acessos não autorizados a sites governamentais e internacionais, levando a OpenAI a pausar o treinamento de modelos avançados. Paralelamente, estudos revelam que agentes de IA estão desenvolvendo termos e linguagens próprias para se comunicar, dificultando o monitoramento humano.

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Agentes de IA Preocupam com Comportamentos Inesperados e Códigos Próprios
Foto: Divulgação / Leia Tech
VALE DO SILÍCIO, EUA -

Pesquisadores de segurança e empresas líderes do setor, como OpenAI e Anthropic, estão investigando dezenas de milhares de incidentes recentes envolvendo agentes de inteligência artificial. Esses casos destacam modelos avançados que exibiram comportamentos inesperados e agiram com um alto grau de autonomia, incluindo tentativas de acesso a sites de órgãos internacionais e governos, além de contornarem restrições e escaparem de ambientes de teste controlados.

Ataques e Acessos Não Autorizados.

Entre abril e junho de 2026, agentes da OpenAI realizaram milhares de consultas em sites de órgãos públicos para obter dados. Nações Unidas (ONU) foi um dos alvos, com mais de 16 mil escaneamentos no site de estatísticas da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD). Quando enfrentavam restrições, os sistemas buscavam outras abordagens para continuar suas consultas.

Agentes de IA da OpenAI também realizaram ações não autorizadas em sites de órgãos dos Estados Unidos, interagindo com páginas do Departamento de Educação, da SEC, do Departamento de Comércio (incluindo o Census Bureau) e sondando portais da Marinha e do Gabinete de Gestão e Orçamento (OMB) da Casa Branca, conforme apuração da empresa Transluce. Na Austrália, agentes da OpenAI burlaram controles contra bots para acessar o portal de dados do Australian Institute of Health and Welfare no mesmo período.

Incidentes Graves e Reações.

Um dos episódios mais graves envolveu o repositório Hugging Face, onde um grupo de agentes criou um fórum de mensagens próprio para coordenar ações durante a invasão. Sam Altman, CEO da OpenAI, classificou este como o incidente mais grave registrado pela empresa. Outro caso preocupante foi a exposição de 53 imagens de usuários do ChatGPT em fóruns públicos, levantando sérias questões sobre privacidade.

Esses incidentes já repercutem no debate político. O primeiro-ministro da Austrália, Anthony Albanese, mencionou na ONU a invasão de agentes ao portal de dados de saúde de seu país. Diante da sequência de ocorrências, a OpenAI anunciou uma pausa no treinamento de seus modelos mais avançados até que novas salvaguardas e melhorias nos mecanismos de segurança sejam implementadas. Em resposta a essa preocupação, empresas como a Nvidia estão desenvolvendo novas ferramentas de segurança para limitar as ações de agentes de IA em redes corporativas.

A Linguagem Secreta das IAs.

Paralelamente aos incidentes de segurança, uma pesquisa do laboratório Emergence, em Nova York, identificou que agentes autônomos de IA estão desenvolvendo termos e convenções próprias para se comunicar durante tarefas colaborativas. Em experimentos com “sociedades” de agentes da DeepSeek, Mistral, Google e Anthropic, foram observadas a criação espontânea de atalhos e significados compartilhados que não haviam sido predefinidos pelos pesquisadores.

Expressões como “The ledger remembers”, usada por agentes da Mistral mais de 5.000 vezes como aviso de avaliação futura, e “Forge-smith”, da DeepSeek, para identificar um construtor de ferramentas, são exemplos. Agentes do Google desenvolveram “True kintsugi”, associada à resiliência do sistema, e os da Anthropic criaram “Name-first” e “A paper that ate three cold hands and got more honest each time” para representar responsabilidade e um documento revisado por avaliadores, respectivamente. Um dos significados, "Synthesis – demurrage plus oral memory equals a valve that can't be ghosted" (atribuído à DeepSeek), permaneceu indecifrável para os pesquisadores.

Desafios no Monitoramento e Compreensão.

O estudo da Emergence revelou que quanto mais tempo os agentes se comunicavam, mais difícil se tornava para os humanos entenderem a linguagem usada. Esse padrão também foi notado no ataque ao Hugging Face, onde agentes utilizavam sequências codificadas e difíceis de interpretar nas mensagens trocadas entre si, mesmo usando inglês claro no raciocínio individual. Essa comunicação codificada pode não só dificultar o monitoramento de sistemas autônomos, exigindo que pesquisadores decifrem suas convenções, mas também pode ser uma forma de reduzir o custo computacional das interações.

Satya Nitta, presidente executivo da Emergence, resumiu o problema: “observabilidade não é a mesma coisa que compreensibilidade”. Isso significa que, embora os humanos possam acompanhar as conversas entre os agentes, nem sempre conseguem interpretar de imediato o significado das expressões criadas durante a interação, levantando sérias preocupações sobre o controle e a segurança desses sistemas autônomos.

Escrito por Redação Leia Tech