CNH sem Autoescola: Falhas em Detrans forçam retorno de candidatos a CFCs
O novo modelo de “CNH sem autoescola” enfrenta desafios significativos, com Detrans como os de São Paulo e Rio de Janeiro criando gargalos no agendamento do exame prático. A falta de adaptação digital nos sistemas estaduais impede o agendamento independente, forçando muitos candidatos a recorrerem novamente às autoescolas e pagarem taxas adicionais apenas para marcar a prova. Enquanto o Governo Federal reconhece a necessidade de ajustes e fiscaliza os Detrans, a Associação Nacional dos Instrutores de Trânsito alerta para custos indevidos impostos aos alunos.

Gargalos e a volta às autoescolas.
Dados recentes da Associação Nacional dos Instrutores de Trânsito (Anit) e da Senatran revelam que Detrans de estados cruciais como São Paulo e Rio de Janeiro estão criando gargalos no processo de agendamento do exame prático. Essa dificuldade tem levado um número considerável de alunos a retornar às autoescolas, mesmo após terem completado as etapas iniciais com instrutores autônomos, apenas para conseguir marcar a prova.
O impasse surge porque os sistemas dos Detrans foram originalmente projetados para operar em conjunto com as autoescolas. Com a transição para um modelo independente, o agendamento dos exames deveria ser de responsabilidade do próprio candidato ou de seu instrutor autônomo. Contudo, a adaptação digital necessária para esse agendamento independente ainda não é uniforme em todo o país.
Realidades distintas entre os estados.
No Rio de Janeiro, a limitação é explícita: enquanto o exame teórico pode ser realizado de forma independente, o agendamento da prova prática permanece exclusivo para os Centros de Formação de Condutores (CFCs) credenciados.
Por outro lado, o Detran-SP afirma que o processo opera normalmente e que os candidatos já podem agendar seus exames de forma independente. No entanto, o órgão admite que ainda está finalizando ajustes importantes para permitir o uso de veículos particulares durante as provas práticas.
A consequência direta para os candidatos é a paralisação do processo ou a necessidade de pagar por aulas extras nas autoescolas, muitas vezes apenas para ter acesso ao sistema de agendamento. Paulo Cesar, presidente da Anit, alertou para práticas onde "cobram R$ 399, valor de duas aulas mais aluguel do carro, apenas para marcar o exame prático, já que as etapas anteriores foram cumpridas pelo aluno de forma independente."
Governo Federal reconhece problemas e fiscaliza.
O Governo Federal, embora declare que o programa está funcionando, reconhece a necessidade de ajustes. Adrualdo Catão, secretário nacional de trânsito, informou que a Senatran está fiscalizando os Detrans que apresentam indícios de problemas com o novo modelo.
"A gente já está fazendo fiscalização, com envio de documentos e inspeções in loco. Os estados precisam explicar à Senatran por que ainda não fizeram as adaptações necessárias", afirmou Catão em entrevista.