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Indústria Brasileira de Games: Do Outsourcing ao Prestígio Global em Menos de Uma Década

A indústria de games no Brasil vive um momento de amadurecimento, com estúdios nacionais ganhando visibilidade global através do outsourcing em grandes produções. Iniciativas da Abragames e ApexBrasil impulsionaram esse crescimento, permitindo que empresas como Kokku se destaquem. Embora a prática de terceirização enfrente desafios relacionados à exploração de mão de obra, o Brasil se posiciona como um mercado de excelente custo-benefício. Rodrigo Terra, presidente da Abragames, destaca o potencial do setor para alcançar prestígio global em menos de uma década, apesar da resistência interna dos jogadores ao consumo de títulos nacionais.

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Indústria Brasileira de Games: Do Outsourcing ao Prestígio Global em Menos de Uma Década
Foto: Divulgação / Leia Tech
SÃO PAULO, SP -

A indústria de games no Brasil vive uma fase de amadurecimento promissora, com expectativas de ver mais jogos nacionais alcançando o nível de produções como Hollow Knight: Silksong ou Clair Obscur: Expedition 33. O que muitos desconhecem é que desenvolvedoras brasileiras já se envolvem em grandes produções AAA por meio de serviços de outsourcing.

O Amadurecimento da Indústria e o Papel do Outsourcing

Em seus primeiros anos de mercado, muitos desenvolvedores brasileiros focam em produções para dispositivos móveis ou oferecem serviços de game design, animação, entre outros, para estúdios externos. Essa prática, conhecida como outsourcing, co-development ou external development, é uma tática fundamental para que esses estúdios arrecadem fundos e invistam em suas próprias produções. A Kokku, por exemplo, desenvolvedora do Recife, contribuiu para títulos aclamados como Horizon Forbidden West e Call of Duty. O outsourcing é uma tendência global, e o Brasil acompanha esse cenário de perto.

O Brasil no Cenário Global de Terceirização de Games

Uma pesquisa da Epyllion, publicada no início deste ano, revelou que 35,5% do investimento total em conteúdo dos desenvolvedores foi destinado à terceirização. O crescimento do outsourcing no Brasil tem atraído a atenção de empresas estrangeiras de games, impulsionado por iniciativas promovidas pela Associação Brasileira das Desenvolvedoras de Jogos Digitais (Abragames) e pela ApexBrasil. Embora estúdios menores muitas vezes entrem neste mercado com a ambição de desenvolver propriedades intelectuais próprias, a prestação de serviços para estúdios externos garante a estabilidade financeira. Rodrigo Terra, presidente da Abragames, destacou na gamescom latam 2026 que o mercado exterior não busca apenas serviços, mas também novos jogos brasileiros. Grandes players como a Nintendo marcaram presença na feira com o objetivo de contratar serviços e publicar jogos no país.

Vantagens Competitivas e Preocupações com a Mão de Obra

O outsourcing, contudo, levanta preocupações. A prática já foi associada à exploração de mão de obra barata em mercados emergentes para reduzir custos, impactando desenvolvedores que recebem menos e contribuindo para demissões em massa na indústria global. No entanto, Rodrigo Terra ressalta que o Brasil alcançou um nível de qualidade que o posiciona como uma opção de custo-benefício para empresas estrangeiras. Os estúdios nacionais entregam trabalhos com responsabilidade e qualidade no mesmo patamar das grandes produtoras. A disparidade cambial entre o dólar e o real favorece o país, tornando as empresas brasileiras competitivas sem a necessidade de baixar preços. Além disso, o Brasil possui vantagens geográficas em relação ao fuso horário para colaborar com empresas da Europa e América do Norte, e a maturidade das empresas locais reduz custos de coordenação que seriam mais altos em mercados como a China.

O Desafio de Conquistar o Consumidor Nacional

Apesar do crescente interesse internacional, a visibilidade dos estúdios brasileiros se restringe principalmente ao polo B2B. Há uma grande resistência dos jogadores brasileiros em consumir obras nacionais, um cenário que também afeta o cinema no país. Rodrigo Terra explica que isso se deve, em parte, à juventude da indústria brasileira de games. Embora Renato Degiovani tenha sido um desbravador nos anos 80 com o jogo Amazônia, o mercado consolidado é recente. O grande desafio para o setor é que os jogadores compreendam o potencial e o valor do jogo brasileiro.

O Potencial Global dos Jogos Brasileiros: Uma Década de Prestígio

A percepção global dos jogos tem evoluído, como evidenciado pelo The Game Awards 2025, que incluiu três jogos independentes na categoria de Jogo do Ano. Com jogos AAA cada vez mais caros e distantes, há um foco crescente em produções mais baratas e de menor escopo. Neste cenário, o jogo brasileiro surge como um "curinga", oferecendo originalidade, perspectivas diferentes, frescor, inovação e novas histórias. Rodrigo Terra acredita que estúdios produzindo novas propriedades intelectuais estão chamando a atenção do mercado global. A expectativa é que esses jogos façam sucesso primeiro lá fora para, então, conquistarem o público brasileiro. Mercados como Polônia, Coreia do Sul e China já firmaram sua posição com grandes produções que antes eram exclusivas da América do Norte, Europa e Japão. Terra projeta que o mercado de jogos brasileiros alcançará esse prestígio global em menos de uma década, jogando no território aberto por grandes produções indie e AAA, e que o país tem plena capacidade de se destacar nesse campo.

Escrito por Redação Leia Tech