LAPSUS$: A Persistência do Grupo Hacker que Ataca Gigantes de Tecnologia e Governos
O grupo hacker LAPSUS$, conhecido por seus ciberataques de alto impacto contra empresas como Microsoft, Nvidia e AstraZeneca, além do Ministério da Saúde do Brasil, persiste como uma ameaça global. Operando com engenharia social e extorsão para roubar códigos-fonte e dados sensíveis, o LAPSUS$ explora vulnerabilidades humanas e de sistemas, mantendo sua reputação mesmo após prisões de membros adolescentes. Empresas são alertadas a redobrar a segurança para mitigar seus ataques.

No universo dos hackers, poucos grupos ganharam fama tão rápido quanto o LAPSUS$. Essa organização criminosa é responsável por ciberataques contra grandes empresas como Microsoft e Nvidia, tornando-se um pesadelo para as big techs com suas táticas impressionantes de extorsão.
Um caso recente que alarmou especialistas envolveu um suposto vazamento de dados da AstraZeneca, a farmacêutica por trás de uma das vacinas da covid-19. O grupo alegou ter invadido os sistemas da empresa, roubando aproximadamente 3 GB de dados internos que foram então comercializados em fóruns clandestinos. O Brasil também não escapou das ações do LAPSUS$: em 2022, os hackers atacaram os sistemas do Ministério da Saúde do país, com ligações diretas a membros ativos em território nacional.
A Ascensão e as Táticas Inovadoras do LAPSUS$
Ativo desde 2020, o LAPSUS$ começou a chamar atenção internacional a partir de invasões de alto impacto. O que mais elevou o nome do grupo no meio criminoso foi a maneira expansiva e "barulhenta" aplicada em seus ataques contra grandes empresas, principalmente do setor tecnológico. Diferente de grupos de ransomware, o foco do LAPSUS$ sempre foi roubar códigos-fonte de sistemas para acessar dados sensíveis. O período mais intenso de suas operações ocorreu entre 2021 e 2022, com uma onda de ataques que gerou diversos prejuízos às vítimas.
Diante da força dos hackers, o LAPSUS$ passou a ser investigado pela polícia internacional e pelo FBI, que descobriram que a maioria de seus integrantes era adolescente. As investigações ligaram os membros a jovens residentes no Reino Unido e no Brasil, revelando uma impressionante capacidade de aplicar golpes complexos.
Principais Alvos e Impacto dos Ataques
O LAPSUS$ ganhou notoriedade no cibercrime ao atacar grandes empresas de tecnologia. Em 2022, a Microsoft foi invadida pelo grupo, que conseguiu acessar o código-fonte do Bing, Cortana e Bing Maps, roubando cerca de 37 GB de dados da empresa. Outro ataque emblemático foi o da Nvidia, que teve 1 TB de dados extraídos pelos hackers, incluindo informações sobre placas de vídeo, drivers e tecnologias futuras, resultando em investigações do FBI.
No Brasil, em 2021, o Ministério da Saúde foi atacado, levando o ConecteSUS (atualmente Meu SUS Digital) a sair do ar e afetando dados sobre a vacinação da Covid-19.
Modus Operandi: Engenharia Social e Extorsão
Para conquistar sua rápida fama, o LAPSUS$ combinou engenharia social com táticas de extorsão. O grupo costuma invadir sistemas com uma ação de dentro para fora, pagando funcionários das empresas visadas para usar suas credenciais. Dessa forma, os criminosos não precisam disseminar malware para atacar, apostando na persuasão (ou coerção) para que alguém entregue dados sigilosos. Outras práticas comuns incluem o roubo de códigos-fonte e a exposição pública de informações sigilosas em fóruns clandestinos para comercialização, maximizando o impacto dos ataques. Eles também exploram falhas humanas e vulnerabilidades em sistemas de autenticação multifator.
A Persistência da Ameaça LAPSUS$ e Recomendações de Segurança
Embora as coisas não sejam mais as mesmas para os integrantes do LAPSUS$ após anos de investigações e prisões, o nome do grupo ainda causa preocupação entre os especialistas. As ações policiais enfraqueceram a operação original, mas não foram suficientes para encerrar o grupo de vez. Renovado, o LAPSUS$ continua ativo graças ao seu histórico, como demonstrado no recente caso da AstraZeneca.
Portanto, as empresas devem olhar para o assunto com atenção redobrada, mantendo a integridade de suas operações. Proteger credenciais de funcionários com revisão frequente de acessos e sistemas de segurança robustos é crucial. Além disso, é recomendável apostar em uma autenticação multifator mais forte e reduzir a exposição dos colaboradores a táticas de engenharia social. O LAPSUS$ provou que ataques digitais não dependem de malware para serem destrutivos, bastando obter acesso legítimo e fazer uma exposição pública para causar grande impacto.