LinkedIn sob Fogo Cruzado por Suposto Escaneamento de Navegadores e Coleta de Dados
Um relatório do Fairlinked e.V. acusa o LinkedIn de escanear secretamente navegadores de usuários para detectar extensões e coletar dados pessoais e corporativos, com o objetivo de mapear concorrentes e até ameaçar usuários. O Bleeping Computer verificou a presença de um script JavaScript que coletava diversas informações do navegador. O LinkedIn refuta as acusações como falsas, atribuindo-as a um desenvolvedor banido, mas admite escanear extensões para 'proteger a privacidade' dos usuários.

VALE DO SILÍCIO, EUA - Um relatório divulgado pelo Fairlinked e.V., uma associação que se identifica como ligada a usuários comerciais do LinkedIn, levantou sérias acusações sobre as práticas da rede social profissional. O documento afirma que o LinkedIn estaria escaneando os navegadores de seus usuários para verificar a presença de extensões instaladas com o objetivo de coletar dados.
Detalhes da Acusação e Método Utilizado
A análise do Fairlinked e.V. detalha que a plataforma emprega um script em JavaScript para realizar essa verificação, que abrange mais de 6 mil extensões no Google Chrome. Os dados coletados, segundo o relatório, seriam vinculados aos perfis dos usuários, combinando-os com informações pessoais e corporativas legítimas já existentes na plataforma.
O relatório prossegue alegando que o LinkedIn executa essa operação sem o consentimento dos envolvidos, analisando “mais de 200 produtos que competem diretamente com suas próprias ferramentas de vendas”. A pesquisa sugere que, ao cruzar essas informações com os dados de emprego dos usuários, a empresa conseguiria mapear quais corporações utilizam recursos de seus concorrentes diretos. Além disso, há uma acusação de que o LinkedIn teria enviado ameaças de sanções a usuários de ferramentas de terceiros, utilizando dados obtidos por esses scripts ocultos.
Verificação Independente Reforça Alegações
O veículo Bleeping Computer testou as alegações do Fairlinked e.V. e confirmou a presença de um arquivo JavaScript de nome aleatório sendo carregado pelo LinkedIn durante as sessões de usuários. A verificação independente também registrou que o script conseguiu identificar 6.236 extensões de navegador, uma prática que visa detectar a instalação de tais recursos no browser.
Adicionalmente, o Bleeping Computer identificou que o código malicioso coletava uma gama diversificada de informações do navegador, incluindo memória disponível, núcleos de CPU, resolução da tela, fuso horário, configurações de idioma, status da bateria, dados de áudio e recursos de armazenamento.
A Resposta do LinkedIn e Contra-Acusações
Em resposta às acusações, o LinkedIn declarou ao Bleeping Computer que as afirmações do Fairlinked e.V. “são claramente falsas”. A empresa argumenta que o relato provém de uma pessoa que foi banida do site “por extração de dados e outras violações dos Termos de Serviço do LinkedIn”.
A rede social profissional ainda alega que a análise acusatória é resultado de uma disputa envolvendo o desenvolvedor de uma extensão de navegador para a plataforma, chamada Teamfluence, que estaria violando os termos de serviço da rede. Contudo, o LinkedIn admitiu que verifica extensões de navegador que possam coletar dados sem consentimento, afirmando que o faz para “proteger a privacidade dos usuários” e garantir a estabilidade do site.