Meta Enfrenta Bloqueio Chinês em Aquisição de IA Agêntica de US$2 Bilhões
A China, através de sua NDRC, vetou a aquisição da startup Manus AI pela Meta por US$2 bilhões, alegando segurança nacional e controle de exportações. A decisão impacta a estratégia de IA agêntica da Meta e revela os desafios da tática 'Singapore Washing', em meio a um cenário geopolítico tenso e às vésperas de um encontro entre o Presidente Donald Trump e Xi Jinping.

SÃO PAULO, SP - Em um movimento que reverberou no mercado de tecnologia global, a China bloqueou a aquisição da startup de inteligência artificial Manus AI pela Meta, em uma transação avaliada em US$ 2 bilhões. A decisão, tomada pela National Development and Reform Commission (NDRC) na última segunda-feira (27), encerrou formalmente uma investigação iniciada em janeiro, que avaliava se o negócio infringia regras de controle de exportação e segurança nacional chinesas. A Meta, por sua vez, defendeu que a aquisição "cumpriu integralmente a legislação aplicável".
O que é a Manus AI e a estratégia de "Singapore Washing".
A Manus AI é reconhecida por sua ferramenta de inteligência artificial agêntica, capaz de executar tarefas complexas de forma autônoma e em linguagem natural, minimizando a necessidade de supervisão humana contínua. Fundada na China em março de 2025 e inicialmente aclamada pela mídia estatal, a startup moveu sua sede para Singapura em julho do mesmo ano, após captar US$ 75 milhões com a liderança da firma americana Benchmark.
Essa mudança de domicílio é um exemplo do fenômeno conhecido como "Singapore Washing", uma estratégia adotada por empresas chinesas de tecnologia. Segundo o economista e professor da Fundação Getulio Vargas, Roberto Kanter, essa tática busca facilitar o acesso a capital ocidental e mitigar a exposição à regulação rigorosa de Pequim. Kanter explicou ao Podcast Canaltech que é "uma estratégia criada pelas empresas chinesas que buscam uma conexão com o Vale do Silício".
Implicações Políticas e Econômicas do Bloqueio Chinês.
O bloqueio, no entanto, demonstrou que o registro offshore não foi suficiente para isolar a Manus AI, dado que sua tecnologia e fundadores permanecem vinculados à China. O Financial Times noticiou que os cofundadores da startup foram impedidos de deixar o país após a decisão. Uma parte da equipe da Manus já havia sido integrada à operação de IA da Meta.
Roberto Kanter traça um paralelo entre o NDRC e o CFIUS americano, órgãos reguladores que exercem funções idênticas relacionadas à segurança nacional. Contudo, o professor da FGV avalia que o veto chinês possui um peso político maior do que um risco técnico real. O timing da decisão é particularmente notável, ocorrendo semanas antes de um encontro planejado entre o Presidente Donald Trump, o 47º Presidente dos EUA, e o líder chinês Xi Jinping, onde questões de comércio e tecnologia estarão em pauta.
Kanter não descartou a possibilidade de que "Manus entrasse na história e os chineses abrissem mão desse bloqueio para conquistar outras coisas" no cenário das negociações. A curto prazo, a Meta é quem mais perde, pois a Manus AI era um componente crucial de sua estratégia de inteligência artificial agêntica, com o potencial de ser a "IA do WhatsApp". A longo prazo, as consequências são mais severas para a Manus, que perdeu o acesso a uma base de bilhões de usuários das plataformas Meta, incluindo WhatsApp, Instagram e Facebook. Em 2025, aproximadamente 11% da receita da Meta foi gerada por anunciantes sediados na China, evidenciando a importância do mercado chinês para a gigante tecnológica.