OpenAI Anuncia Solução para Equações de Navier-Stokes com IA, Mas Enfrenta Acusações de Postura Predatória
A OpenAI afirma ter resolvido as complexas equações de Navier-Stokes, um dos sete Problemas do Milênio, utilizando mais de mil agentes de inteligência artificial e um investimento milionário. Contudo, a conquista é ofuscada por acusações de pesquisadores da NYU e Anthropic, que alegam postura predatória da OpenAI, interferência na atribuição de créditos e possível uso indevido de dados de pesquisa. A OpenAI nega as acusações e defende a originalidade de sua solução, enquanto a controvérsia levanta debates éticos sobre a IA na academia.
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VALE DO SILÍCIO, EUA - A OpenAI anunciou ter encontrado uma solução, gerada por inteligência artificial, para as equações de Navier-Stokes, um dos problemas mais desafiadores da matemática, formulado há cerca de 200 anos e que descreve o comportamento de fluidos, como água e ar.
Para alcançar este feito, a empresa mobilizou mais de 1.000 agentes de IA, que trabalharam por mais de 50 horas consecutivas. Esse esforço resultou em uma prova matemática completa, formalizada na linguagem de programação Lean, demonstrando, segundo a OpenAI, como sistemas de inteligência artificial podem contribuir para pesquisas de matemática fundamental.
A operação, contudo, demandou um volume elevado de recursos computacionais, com Mark Chen, chefe de pesquisa da OpenAI, estimando o custo "na casa dos milhões de dólares". Sebastien Bubeck, pesquisador da empresa, revelou que o esforço foi intensificado em 28 de agosto, após surgirem rumores de que a Anthropic estaria próxima de apresentar uma solução similar para o problema.
A Controvérsia Sobre Autoria e Dados.
As equações de Navier-Stokes estão entre os sete Problemas do Milênio definidos pelo Clay Mathematics Institute, cuja solução comprovada rende um prêmio de US$ 1 milhão. No entanto, a conquista da OpenAI está envolta em controvérsia.
O matemático Tristan Buckmaster, da Universidade de Nova York (NYU), e Levent Alpöge, pesquisador da Anthropic, acusaram a OpenAI de ter uma "postura predatória". Segundo Buckmaster, a empresa teria tentado interferir na atribuição dos créditos da descoberta e chegado a sugerir que a publicação fosse feita em nome de um modelo interno da OpenAI, sem incluir Alpöge entre os autores. Sebastien Bubeck, da OpenAI, contestou publicamente essa afirmação nas redes sociais, negando a tentativa de retirar Alpöge da autoria.
A disputa se estende à possibilidade de a OpenAI ter utilizado informações relacionadas ao desenvolvimento da pesquisa dos acadêmicos. Buckmaster questionou se a empresa teria acessado registros de uso do Codex, um de seus próprios modelos, utilizado por ele e Alpöge, para acompanhar o avanço da pesquisa e orientar o trabalho de seus agentes de IA.
A OpenAI nega ter acessado prompts ou registros privados antes da divulgação pública do trabalho dos pesquisadores. Contudo, em uma publicação oficial, a empresa reconheceu que dados desidentificados, gerados pelo uso de seus produtos, podem ter sido utilizados no treinamento e aprimoramento de seus modelos.
Defesa da OpenAI e Diferenças nas Soluções.
Em resposta às acusações, o CEO da OpenAI, Sam Altman, defendeu a equipe, enquanto Bubeck reiterou a negativa sobre o uso de dados dos pesquisadores. Ven Chandrasekaran, outro matemático da OpenAI, argumentou que a solução produzida pelos agentes da empresa é "significativamente diferente em natureza" daquela apresentada por Alpöge e Buckmaster.
Bubeck também parabenizou os pesquisadores pelo trabalho, classificando a conquista como "monumental", e reconheceu a prioridade da dupla na resolução das equações de Euler não forçadas. Ele salientou que o trabalho da OpenAI focou nas equações de Navier-Stokes, enquanto os pesquisadores se dedicaram às equações de Euler. Essa distinção entre os sistemas de equações abordados é um dos pilares que sustentam a afirmação de que os trabalhos têm naturezas matemáticas distintas.
A validade da solução da OpenAI e as questões de autoria, acesso a dados e os limites éticos do uso de inteligência artificial na pesquisa acadêmica são agora o cerne da disputa. A confirmação matemática independente da prova será crucial para determinar se o trabalho realmente resolve o problema proposto pelo Clay Mathematics Institute.