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Papa Leão XIV Lança Encíclica Histórica sobre IA e Big Techs, Pedindo Regulação Internacional

O Papa Leão XIV divulgou sua primeira encíclica, 'Magnifica Humanitas', delineando a posição oficial da Igreja Católica sobre a inteligência artificial, o poder das grandes empresas de tecnologia e seus impactos sociais e políticos. O documento apela por diretrizes éticas e uma regulação internacional mais robusta para a IA, criticando a concentração de poder e alertando sobre desinformação, precarização do trabalho e uso militar da tecnologia.

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Papa Leão XIV Lança Encíclica Histórica sobre IA e Big Techs, Pedindo Regulação Internacional
Foto: Divulgação / Leia Tech
CIDADE DO VATICANO - O Papa Leão XIV publicou nesta segunda-feira, 25 de maio de 2026, sua primeira encíclica, intitulada “Magnifica Humanitas”. O documento, assinado em 15 de maio e agora divulgado, estabelece a posição oficial da Igreja Católica sobre o uso da inteligência artificial (IA), o poder das grandes empresas de tecnologia e seus impactos sociais e políticos. Com cerca de 43 mil palavras, a encíclica propõe diretrizes éticas e pede maior regulação internacional sobre o desenvolvimento da IA, estando já disponível para bispos e fiéis.

A Visão da Igreja sobre o Desenvolvimento da IA

A encíclica funciona como um posicionamento doutrinário e ético da Igreja diante dos avanços tecnológicos recentes. Segundo o Papa, o crescimento da IA não pode ser guiado apenas por interesses econômicos ou corporativos, mas deve estar subordinado ao bem comum. O texto também alerta para a disseminação de desinformação, a concentração de poder nas Big Techs e o uso de sistemas automatizados em contextos militares.

Chamado por Regulação e Transparência

No documento, Leão XIV defende a criação de marcos regulatórios mais rígidos e de alcance internacional para supervisionar o desenvolvimento da IA. Ele critica a falta de transparência das empresas de tecnologia e afirma que a governança desses sistemas precisa envolver mais controle público. A encíclica também relaciona a automação ao impacto no mercado de trabalho, apontando riscos de precarização e substituição em massa de empregos. O Papa reforça que "não basta invocar a ética no abstrato; são necessários marcos legais robustos, supervisão independente, usuários informados e um sistema político que não se esquive de sua responsabilidade", além de pontuar que "a propriedade dos dados não pode ser deixada exclusivamente em mãos privadas, mas deve ser devidamente regulamentada".

Preocupações com a Concentração de Poder

Na “Magnifica Humanitas”, o Papa Leão XIV alerta para a concentração do desenvolvimento da inteligência artificial em grandes empresas privadas. Ele afirma que “os principais motores do desenvolvimento são entidades privadas, muitas vezes transnacionais, dotadas de recursos e capacidade de intervenção que superam os de muitos governos”. O documento ressalta que essa concentração pode gerar opacidade, dependência e desigualdade, advertindo que “quando esse poder se concentra nas mãos de poucos, tende a tornar-se opaco e a escapar à supervisão pública, aumentando o risco de formas distorcidas de desenvolvimento que dão origem a novas dependências, exclusões, manipulações e desigualdades”. O Papa ainda pede cautela no ritmo de adoção da tecnologia, afirmando que a prudência é um "exercício de cuidado responsável para com a família humana".

Impactos na Sociedade, Democracia e Conflitos Armados

A encíclica ainda chama atenção para o impacto da IA em diferentes áreas da vida social. No campo da informação e da democracia, o texto alerta que a tecnologia pode afetar a relação com a verdade, já que “a democracia não consiste apenas em regras e procedimentos, mas sobretudo numa sólida concordância com os fatos”, e que a “indiferença à verdade leva, lenta mas seguramente, a uma descida ao totalitarismo”. Sobre o trabalho, o Papa afirma que a automação está mudando rapidamente o mercado, mas reforça que “a proteção das oportunidades de emprego e o papel insubstituível do indivíduo devem permanecer a regra geral”, e que “a busca por maiores lucros não pode justificar escolhas que sacrifiquem sistematicamente empregos”. Por fim, o documento relaciona o avanço da IA a mudanças nos conflitos armados, com a expansão de guerras híbridas e manipulação de informações. O Papa é enfático ao afirmar que “o desenvolvimento e a utilização da IA na guerra devem estar sujeitos às mais rigorosas restrições éticas... não é permitido confiar decisões letais ou irreversíveis a sistemas artificiais”.

Escrito por Redação Leia Tech