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TikTok Ignorou Alertas Internos sobre Exploração Sexual de Menores e Falhas de Segurança, Revelam Documentos Judiciais

Documentos judiciais divulgados em 20 de outubro de 2026, como parte de processos nos EUA, revelam que funcionários do TikTok alertaram repetidamente a direção da empresa sobre graves riscos de exploração sexual de crianças e adolescentes, além de falhas em ferramentas de proteção e potenciais danos à saúde mental de jovens. As denúncias indicam que a plataforma tinha conhecimento de tais problemas, incluindo transações financeiras em transmissões ao vivo com menores e brechas em recursos de segurança, mas não agiu de forma satisfatória.

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TikTok Ignorou Alertas Internos sobre Exploração Sexual de Menores e Falhas de Segurança, Revelam Documentos Judiciais
Foto: Divulgação / Leia Tech

VALE DO SILÍCIO, EUA - Documentos judiciais divulgados nesta terça-feira, 20 de outubro de 2026, revelam que funcionários do TikTok alertaram repetidamente a direção da empresa sobre os riscos de exploração sexual de crianças e adolescentes na plataforma. Apesar dos avisos, as respostas da companhia não foram consideradas suficientes para resolver os problemas. As informações, reveladas pela rádio pública americana NPR, mostram que a rede social também tinha conhecimento de falhas em ferramentas de proteção e de possíveis danos à saúde mental de jovens.

Exploração no TikTok Live e Lucro da Plataforma

Os depoimentos de ex-funcionários, apresentados à Justiça dos Estados Unidos em março de 2026 como parte de processos contra o TikTok e outras redes sociais, detalham problemas graves. Um dos focos é o TikTok Live, onde crianças e adolescentes supostamente apareciam em conteúdos de natureza sexual e recebiam pagamentos por meio de presentes virtuais, conversíveis em dinheiro. A empresa, ao ficar com uma parcela desses valores, levantou questionamentos sobre um possível benefício financeiro decorrente da exploração de menores.

Alertas Internos Ignorados por Executivos

Reagen Maher, que ocupou cargos de liderança nas equipes de segurança do TikTok entre 2021 e 2024, afirmou ter lutado por meses para convencer executivos a agir contra a exploração sexual de menores. Em uma conversa interna apresentada à Justiça, Maher relatou que parte dos responsáveis pela plataforma "não considerava os danos graves o suficiente para justificar novas ações". Uma investigação interna chegou a identificar 112 mil transmissões ao vivo com a presença de crianças e adolescentes de 13 a 15 anos apenas em janeiro de 2022, apontando riscos de aliciamento e produção de material de abuso sexual infantil.

Falhas em Ferramentas de Segurança Conhecidas

Os documentos também apontam outras brechas nas ferramentas de proteção. Menores conseguiam acessar funcionalidades destinadas a adultos ao criar contas com credenciais do Google, Facebook ou Instagram, uma falha conhecida pela liderança do TikTok. O Family Pairing, recurso de supervisão parental lançado em 2020, possuía um link oculto que permitia aos jovens desvincular suas contas da supervisão, conforme uma conversa interna de 2021. O TikTok afirmou à NPR que os responsáveis recebem notificações quando o vínculo é desativado.

Preocupações com Pesquisas de Idade e Algoritmo

A empresa também teria evitado realizar pesquisas que pudessem revelar a quantidade de crianças com menos de 13 anos na plataforma, temendo que os resultados fossem solicitados pela Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos (FTC), em relação à lei COPPA. Além disso, Eric Han, ex-chefe de segurança, relatou preocupações desde 2020 sobre o algoritmo de recomendações, que poderia levar usuários a consumir vídeos prejudiciais, como os relacionados à automutilação e suicídio, sem que os pais fossem alertados.

Ondas de Processos e Acordos Milionários

As novas revelações se inserem em uma disputa judicial iniciada em 2022 nos Estados Unidos, que acumula centenas de ações contra TikTok, Meta, Google e Snap. A exploração de menores no TikTok Live já havia motivado uma ação específica em Utah, em junho de 2024. Em setembro de 2026, um juiz do Texas decidiu que o TikTok violou uma lei estadual de proteção ao consumidor com informações enganosas sobre mecanismos de segurança infantil. No mesmo mês, o Canaltech revelou que a plataforma foi acusada de oferecer uma ferramenta de segurança falsa para jovens usuários, o "Algo Refresh". Em maio de 2026, o TikTok concordou em pagar US$ 8 milhões para encerrar uma ação no Kentucky, e em setembro, fechou outro acordo com o Alabama.

Multa no Brasil e Resposta da Empresa

No Brasil, a ByteDance, controladora do TikTok, foi multada em R$ 153,7 milhões pela Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) em agosto de 2026, por irregularidades no tratamento de informações pessoais de crianças e adolescentes. Procurado pela NPR, o TikTok inicialmente indicou suas políticas de segurança. Posteriormente, o porta-voz Nathaniel Brown contestou a interpretação dos documentos, alegando que as acusações foram selecionadas "de maneira parcial" por advogados e distorcem o histórico da empresa. O TikTok não esclareceu, no entanto, se comunicou às autoridades americanas todos os casos de material de abuso sexual infantil identificados nem o destino das receitas associadas a conteúdos irregulares.

Escrito por Redação Leia Tech