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Tim Cook Deixa Comando da Apple em Setembro; John Ternus É o Novo CEO

Tim Cook anuncia sua saída do cargo de CEO da Apple em 1º de setembro de 2026, após quase 15 anos de liderança. John Ternus, atual vice-presidente sênior de engenharia de hardware, assumirá a função, enquanto Cook passará a ser chairman executivo. A notícia, que surpreendeu o mercado, fez as ações da Apple caírem 1%.

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Tim Cook Deixa Comando da Apple em Setembro; John Ternus É o Novo CEO
Foto: Divulgação / Leia Tech
VALE DO SILÍCIO, EUA - A Apple anunciou nesta segunda-feira (20) uma mudança significativa em sua liderança, com Tim Cook se preparando para deixar o cargo de CEO em 1º de setembro de 2026. Após quase 15 anos à frente da gigante tecnológica, Cook assumirá o posto de chairman executivo, passando o comando para John Ternus, o atual vice-presidente sênior de engenharia de hardware.

Em uma carta aberta publicada no site da Apple, Tim Cook descreveu sua passagem pelo cargo como "o maior privilégio da minha vida". A transição foi anunciada sem grandes sinalizações prévias ao mercado, o que levou as ações da Apple (AAPL) a caírem cerca de 1% nas negociações pós-fechamento desta segunda-feira, segundo a Reuters. A surpresa dos investidores foi notável, dado o timing do anúncio, que ocorre uma semana e meia antes da divulgação do balanço trimestral da empresa, previsto para 30 de abril.

Uma Trajetória de Crescimento e Valores

Cook assumiu a liderança da Apple em agosto de 2011, em um momento delicado, logo após a saída de Steve Jobs por motivos de saúde. A empresa que ele recebeu já era um fenômeno, com o iPhone lançado em 2007 e o iPad em 2010. Naquela época, a Apple era avaliada em cerca de US$ 350 bilhões e faturava US$ 108 bilhões por ano, conforme dados da própria companhia.

No mercado, a questão era se um executivo de operações e logística, sem o perfil de designer visionário de Jobs, conseguiria manter o ritmo. Os números sob a gestão de Cook oferecem uma resposta clara: a capitalização de mercado da Apple disparou para mais de US$ 4 trilhões, um crescimento superior a dez vezes. A receita anual, por sua vez, saltou de US$ 108 bilhões para mais de US$ 416 bilhões no ano fiscal de 2025, quase quatro vezes o valor inicial. A base de dispositivos ativos alcançou a marca de 2,5 bilhões ao redor do mundo, e a presença física da empresa mais que dobrou, com mais de 500 lojas em centenas de países e territórios.

Produtos e Serviços: A Era da Expansão do Ecossistema

Durante sua gestão, Tim Cook não buscou criar um dispositivo com o impacto disruptivo do iPhone original, mas focou em ampliar e consolidar o portfólio de produtos de forma consistente. Sob sua liderança, foram lançados o Apple Watch em 2015, que solidificou a presença da Apple no mercado de wearables, e os AirPods em 2016, que redefiniram o segmento de áudio sem fio. A aposta mais ambiciosa em uma nova categoria de produto veio em 2024, com o lançamento do Vision Pro, o headset de realidade espacial.

Outra estratégia central da era Cook foi reduzir a dependência financeira do iPhone. A divisão de Serviços, que engloba plataformas como Apple Music, iCloud, App Store e Apple TV+, transformou-se em um negócio robusto, gerando mais de US$ 100 bilhões por ano. Essa diversificação não apenas trouxe uma receita mais previsível, mas também aprofundou o vínculo dos usuários com o ecossistema da marca.

Desafios e Caminhos Não Percorridos

A gestão de Cook também acumulou pontos de tensão e críticas. A Apple foi questionada por não assumir uma posição de liderança proeminente na corrida pela inteligência artificial, optando por integrar ferramentas de terceiros, como o Gemini do Google na Siri, em vez de desenvolver modelos próprios competitivos. O Vision Pro, apesar de ambicioso, teve uma recepção morna entre os consumidores, e o Project Titan, o projeto secreto para o desenvolvimento de um carro elétrico, foi cancelado após anos de investimento e especulações.

John Ternus: O Próximo Capítulo da Engenharia

A partir de setembro, John Ternus assumirá o cargo de CEO aos 51 anos. Ternus tem uma longa história com a Apple, onde está desde 2001, tendo trabalhado diretamente sob a liderança de Steve Jobs antes de ser promovido por Cook. Ele é reconhecido por sua contribuição em produtos como o chip M1 e nas versões recentes do iPhone e do MacBook. Em comunicado, Ternus prometeu "liderar com os valores e a visão que definiram este lugar especial por meio século”.

Na carta divulgada nesta segunda-feira, Tim Cook expressou total confiança em seu sucessor, afirmando que Ternus passará os próximos meses ao seu lado na transição e que "Ele é a pessoa perfeita para o trabalho".

Cook Permanece como Chairman e Guia Estratégico

Tim Cook ressaltou que, mesmo deixando a posição de CEO, permanecerá na empresa como chairman. Nessa nova função, ele terá um papel ativo no conselho e na estratégia de longo prazo, embora sem a função operacional direta que o caracterizou por tanto tempo. Sua herança na Apple é menos sobre rupturas e mais sobre a construção de escala e consistência. Ele transformou uma empresa de produtos excepcionais em uma das maiores corporações da história, com operações em mais de dois terços dos países do mundo e uma base de usuários sem paralelo no setor de tecnologia de consumo.

Em suas próprias palavras, na carta aberta aos usuários da Apple, Cook resumiu o que foi a gestão: "Cresci em um lugar rural, em outro tempo, e nesses momentos mágicos, tive a chance de ser o CEO da maior empresa do mundo”.

Escrito por Redação Leia Tech