Eduardo Paes: 'Se eu sair vivo e não terminar preso, já é uma vitória' no governo do Rio
Eduardo Paes, o político que mais tempo governou o Rio como prefeito, rompe promessa de mandato e agora busca o Palácio das Laranjeiras. Em entrevista em Oxford, ele avalia a situação fluminense, posiciona-se sobre Lula e a segurança pública, e reflete sobre seu polêmico passado.

OXFORD, REINO UNIDO - O agora candidato ao governo do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), esteve em Oxford, Reino Unido, no último sábado (16/5), participando da 11ª edição do Brazil Forum UK. Em entrevista à BBC News Brasil durante o evento, Paes fez uma análise da situação política fluminense e explicou a decisão de concorrer ao Executivo estadual, mesmo tendo garantido durante a última campanha à prefeitura que completaria os quatro anos de gestão.
A Volta à Corrida Fluminense
Paes argumentou que "posso somar mais nesse momento se vencer as eleições para o Estado". Esta será a terceira vez que ele disputa o governo fluminense. Questionado sobre a possibilidade de reeleição em 2030 ou outros "voos maiores" caso seja bem-sucedido em 2026, o candidato respondeu com ironia: "Se eu fizer um bom trabalho, sair vivo e não terminar preso, já é uma vitória."
O político, que comandou a capital fluminense por mais tempo na história, com exatos 4.827 dias ao longo de quatro mandatos, lidera com folga as pesquisas de intenção de voto até o momento. Ele defende que a atual situação do Rio de Janeiro "é complexa, e não é o desejável", atribuindo-a à "fragilidade institucional política do grupo que vem governando o Estado há oito anos". Paes fez uma dura crítica a episódios recentes, como a prisão do sucessor natural do governador, Rodrigo Bacellar, e a renúncia do governador anterior às vésperas de um impeachment, defendendo "eleições diretas já".
Visão Sobre Segurança e Apoio a Lula
Eduardo Paes é crítico da megaoperação policial que deixou mais de uma centena de mortos no Complexo do Alemão e da Penha em 2025. No entanto, ele defende que "delinquente que usa roupa de guerra e arma pesada contra o Estado vai ter que ser neutralizado".
Sobre o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Paes declarou: "Eu já tenho o presidente Lula no meu palanque. Ele tem o meu apoio, o meu voto, e acho que ele é o melhor quadro para vencer as eleições presidenciais. Mas não é ele que vai governar o Rio de Janeiro." Paes se prepara para balancear esse apoio em um Estado que tradicionalmente elege governadores alinhados à direita.
Histórico Político e Defesas Pessoais
A trajetória de Paes inclui sua primeira eleição como prefeito em 2008 e a reeleição em 2012, período em que comandou a cidade durante a preparação e realização dos Jogos Olímpicos. As grandes obras de infraestrutura e mobilidade para as Olimpíadas foram alvo de críticas e denúncias de desvios, mas Paes foi investigado e não condenado em relação aos megaeventos. Ele atribui a si parte da modernização urbana do Rio.
O político também foi citado no episódio da "farra dos guardanapos", em Paris, em 2009, que reuniu políticos ligados a Sérgio Cabral. Paes sempre se defendeu, afirmando ter saído do evento quando "a festa estava ficando um pouco animada demais" e que não se relaciona pessoalmente com fornecedores e empresários, retirando-se "quando noto que a coisa começa a ficar muito íntima". Ele também enfatizou que "o Sérgio Cabral nunca foi meu padrinho político" e que governou oito anos sem acusações de corrupção, distanciando-se de figuras como Cabral, o ex-deputado federal Eduardo Cunha e o ex-deputado estadual Jorge Picciani, presos por corrupção.
Após deixar a prefeitura em 2016, Paes viu seu grupo político perder para Marcelo Crivella. Em 2018, disputou o governo pela segunda vez e foi derrotado por Wilson Witzel, que posteriormente foi afastado do cargo por impeachment em 2021. Paes retornou à Prefeitura do Rio em 2021 e reelegeu-se quatro anos depois, passando a ser um dos principais antagonistas políticos do bolsonarismo no Rio, em choque público com o então presidente Jair Bolsonaro (PL) em temas como vacinação e restrições sanitárias.